segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Radiohead confirma shows no Brasil em 2009




O Radiohead acertou shows no Brasil. A cultuada banda inglesa se apresentará no Rio de Janeiro, em 20 de março de 2009, e em São Paulo, em 22 de março.
Os ingleses do Radiohead farão shows no Rio de Janeiro e São Paulo em março
No Rio, o show acontecerá na praça Apoteose; em São Paulo, na Chácara do Jockey --terreno na zona sul de São Paulo onde, ocorreu o festival Claro Que É Rock em 2005. Nas cidades, os ingressos terão preço único: R$ 200 (estudantes pagam meia).
Os ingressos começam a ser vendidos à 0h de 5 de dezembro, pela internet. A partir das 9h de 5/12, haverá venda nas bilheterias do estádio do Pacaembu (SP) e Maracanãnzinho (RJ).
A capacidade de público em cada uma das praças será de cerca de 30 mil pessoas. Os shows do Radiohead estão sendo organizados no Brasil pela produtora Plan Music. Eles acontecerão dentro de um festival batizado de Just a Fest, que terá quatro bandas (incluindo o Radiohead), sendo duas nacionais. Os outros artistas que tocarão no evento ainda não foram definidos.
"Não foi a primeira negociação que tivemos com o Radiohead", diz Luiz Oscar Niemeyer, da Plan Music. "Houve uma no ano passado, que acabou não indo para a frente. Agora finalmente as coisas encaixaram. De quatro meses para cá, as conversas andaram".
Segundo Niemeyer, o Radiohead trará ao Brasil a produção completa de show, com cenário e iluminação idênticos aos utilizados nas apresentações norte-americanas.
A banda
Há pelo menos cinco anos circulam rumores de uma possível vinda do Radiohead ao Brasil. É, possivelmente, a banda roqueira mais aguardada pelos fãs brasileiros.
Dono de letras que vão da crítica social a paisagens abstratas, o vocalista Thom Yorke é o principal personagem do Radiohead. O principal coadjuvante é o guitarrista Jonny Greenwood, autor também de trilhas para o cinema. A banda tem ainda Ed O'Brien (guitarra), Colin Greenwood (baixo) e Phil Selway (bateria).
O grupo tornou-se uma das principais notícias do mundo pop no final do ano passado com o lançamento de "In Rainbows", o sétimo disco.
Numa iniciativa inédita para uma banda do porte de Radiohead (mais de 30 milhões de discos vendidos), o quinteto deixou para os fãs decidirem quanto deveriam pagar pelo álbum. "In Rainbows" foi lançado primeiro por download e, em seguida, em formato físico de CD. Foi recebido com elogios pela crítica.
Além de Brasil, a turnê sul-americana do Radiohead passa por Chile e Argentina.

Muito se falou nos 50 anos de Madonna. E quem teria estofo para substituir essa cinquentenária? Britney? Christina Aguilera? Beyoncé? Kylie? Nenhuma delas têm o carisma-profissionalismo-esperteza de Madonna. Sabe seguir os ventos da música e se vestir adequadamente em cada situação; cerca-se dos melhores profissionais, da RP Liz Rosenberg ao produtor Stuart Price; move-se com desenvoltura tanto em clubes minúsculos como num estádio como o Morumbi.
Ao vivo, muitas das faixas do disco "Hard Candy" ganham arranjos mais elogiosos do que em disco. Uma delas é a balada "Miles Away", tocada por Madonna com o público fazendo vocal de apoio; outra é "Beat Goes On", produção do Pharrell Williams, que aparece com mais peso e groove. E Madonna consegue dar novo brilho a canções como "Vogue", "Borderline" e "Like a Prayer". Aos 50 anos, Madonna ainda mostra-se insubstituível no pop.
O ano em quadrinhos
Interrupção pontual nas férias só pra avisar que o Telio Navega, o homem dos quadrinhos em "O Globo", convocou uma galera que escreve sobre o tema (entre eles, este que vos escreve) pra eleger seus favoritos do ano e botou a lista lá no Gibizada. Deu "Chibata" na cabeça. Minha favorita, "Leões de Bagdá", ficou em segundo.
Mix da semana
Quer conhecer um pouco mais sobre dubstep? Então vá ao site do Essential Mix, obrigatório programa que rola todo domingo na Radio 1, a emissora da BBC. O convidado desta semana é o DJ e produtor inglês Rusko, que coloca na receita até um quebrado e surpreendente remix de "I Kissed a Girl", da Katy Perry. O mix fica no ar até o próximo domingo.
Masturbação cultural
Há marmanjos que gostam de brincar de RPG. Há aqueles que se emocionam com o disco do Marcelo Camelo. Tem gente que discute vinho. Assim, é até normal encontrar pessoas que "analisem", "discutam" e "teorizem" sobre "jornalismo cultural".
A Ilustrada completa 50 anos e, para celebrar a grandiosa data, promoveu nesta semana debates iluminados sobre esse instigante assunto que é o jornalismo cultural brasileiro. Figuras ilustres e experientes conhecedoras dos meandros noticiosos, como Caetano Veloso, Lobão, Maria Rita Kehl e Cacá Diegues, entre outros, opinaram extensivamente sobre o tema. Não é por nada, mas queria saber o que o Cacá Diegues fez de relevante nos últimos 30 anos que o credencia a vomitar a respeito de cultura, jornalismo ou jornalismo cultural.
Há alguns dias, o ombudsman da Folha publicou em sua coluna a opinião de vários ex-editores da Ilustrada (e também do atual) sobre como eles acham que deva ser a cobertura cultural num jornal diário e impresso. Algo do que foi dito: "a Ilustrada envelheceu"; "precisa ser novidadeira, assertiva e atrevida, atender expectativas, mas saber surpreender e incomodar, dosar serviço com reportagem investigativa e ser campo fértil para idéias novas"; "ser cada vez mais crítico ao mercado, fugir das armadilhas do deslumbramento, da superficialidade e da ingenuidade, as pragas do jornalismo cultural"; "submeter as políticas culturais públicas e o marketing da indústria de entretenimento à investigação jornalística; aprimorar os serviços; recompor o valor intelectual e polêmico da crítica; retomar o entusiasmo pelo debate, o gosto da provocação e o prazer das rupturas e das descobertas"; A Ilustrada é filha de período em que o debate cultural era mais coletivo e concentrado em poucos lugares; (...) Talvez a tarefa principal seja atar as pontas dispersas"; "a tendência é abraçar essa 'cauda longa'. O diferencial será a capacidade de pinçar nessa 'cauda longa' as manifestações mais originais, capazes de formar, elas mesmas, suas próprias 'caudas'. Para isso, apostar naquilo que é totalmente inusitado"; "nem é dada a palavra ao artista, mas sim ao crítico, ao colunista, ao articulista, sem que haja tampouco o confronto das idéias. Que seja dada a palavra aos criadores"; "análise, interpretação e crítica. A Ilustrada do futuro deveria se basear nesse tripé. A cereja no bolo seriam reportagens exclusivas. E uma medida a ser tomada ontem: jogar fora tabelas e roteiros"; "a vontade de eterna juventude (valorizar o novo pelo novo, sem pôr em xeque sua consistência) pode ter ficado anacrônica. Para satisfazer e manter fiel público mais maduro será necessário esforço mais amplo de aprofundar informação e opinião". Então. Já colocamos as instruções no quadro de avisos da redação da Ilustrada e prometemos segui-las. Valeu pelos toques!
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Parece que os debates promovidos pela Ilustrada contagiaram mais gente. Como André Forastieri. Do alto de uma cadeira do bar Exquisito num dia qualquer da semana, deliciando-se com um carinha que cantava covers de MPB, Forastieri pergunta: "com tanto blog, cadê a nova geração de jornalistas culturais do cacete?". Forasta, com tanto blog, site, revista e jornal por aí, se você não encontra coisas interessantes talvez seja hora de parar de ler tanta HQ de super-herói. Alguns exemplos de blogs: www.popload.com.br; http://www.oesquema.com.br/trabalhosujo; http://www.spiceee.com/pensaletes/; http://donttouchmymoleskine.wordpress.com/; http://bimahead.blogspot.com/; http://vitrola.blogspot.com/.O Álvaro Pereira Jr., quando não está falando mal do Cansei de Ser Sexy, também gasta algumas linhas para ensinar como se faz jornalismo cultural. Ele até já fez um "manual do crítico", com sete regras que devem ser seguidas à risca. (No início desse texto, antes de apontar as regras, ele esclarece: "Sempre relutei em fazer esse tipo de 'manual do crítico' porque, primeiro, nunca fui nem sou crítico de música em tempo integral e, segundo, desconfio de fórmulas prontas"). Se você não é assinante do UOL, entre no blog do Forasta; ele republicou o texto do Álvaro.
Camilo Rocha, um dos caras que melhor escrevem sobre música no país e que não desperdiça nosso tempo relembrando como as coisas eram melhores antigamente (coisa comum entre o "pessoal da velha geração"), também entrou no assunto. Em seu blog no Rraurl, ele sentencia: "(...) agora, na internet, em tempos de Perez Hilton e gente falando de música mal e toscamente, eu acredito que o bom texto musical não só tem espaço como é mais necesário do que nunca". E arremata citando alguns dos críticos que considera valerem a pena, como Lester Bangs e Simon Reynolds. Meu pitaco: 99% dos que citam Lester Bangs por aí não leram uma linha sequer do cara (o Camilo entra no 1%); e Simon Reynolds... bem, ele conhece música pop, mas a maioria dos seus textos é tão emocionante quanto um discurso do presidente da Petrobras sobre o pré-sal.
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Aí você pergunta: "Se o assunto é bobagem, por que eu perco tempo escrevendo isso?". Bem, porque eu não tenho nada pra fazer neste início de noite de sexta, enquanto espero para assistir ao Holger e ao Dave Clarke.
Imagens do dia
Diana Ross, na cerimônia de entrega do Nobel da Paz, na Noruega, na quinta
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Odd Andersen/Associated PressA electro-pop sueca Robyn, também no Nobel da Paz
09/12/2008
Will.I.Am produzindo U2????
Existe alguém com mais opiniões sobre tudo do que Caetano Veloso? Aparentemente, sim. Kanye West informa ao mundo que Will.I.Am, do Black Eyed Peas, está produzindo o próximo diso do U2. Duvida? Vá ao blog do Kanye. Segundo outras fontes, tipo jornais, sites e revistas gringos, quem está mexendo no álbum é Daniel Lanois, que já trabalhou com o U2. Mas o Kanye, bem, o Kanye deve saber algo que não sabemos...
De Eminem ao Pavement
Já circula na net a nova música de Eminem. "Number One" é a primeira produção oficial do vocalista desde que ele lançou a compilação "Curtain Call", em 2005, que trazia três faixas inéditas. "Number One" estará em "Relapse", disco que ele promete lançar em 2009. "Number One" começou a circular em alguns blogs e em sites como o Rapid Share, mas a gravadora do rapper foi rápida e tirou a canção do ar. Mas ainda dá para ouvi-la aqui e ali. A faixa é produzida por Dr. Dre e traz Eminem num vocal rápido, sobre piano e batidas mais lentas. O resultado? Meio decepcionante. Em época de Kanye West e Lil' Wayne, Eminem, pelo menos com "Number One", parece estar uns oito anos atrás.
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O Justice lançou na Europa o documentário em DVD "A Cross the Universe", com imagens da turnê mundial da dupla. No You Tube, dá para ver a faixa "Phantom II", em que a apresentação do duo pode ser comparada a um show punk:

Pavement é daquelas bandas indies que eu curtia muito anos atrás, mas que agora me dizem muito pouco. Mas não dá para ignorar o relançamento de "Brighten the Corners", o quarto disco da banda americana, lançado originalmente em 1997. A nova versão do álbum vem em dois CDs, com as músicas remasterizadas, adicionadas de 34 faixas não lançadas no disco e um libreto de 62 páginas.
04/12/2008
Ingressos pro Radiohead - atualizado
Atenção: se você tem cartão de crédito internacional, já dá para comprar ingressos para os shows do Radiohead no site da banda.
Atualização: no site do Radiohead, os ingressos para o show de SP já estão esgotados. Ainda há para o show do RJ. Para os paulistanos, resta agora esperar pela venda no site brasileiro ou nos pontos-de-venda.
Sobre o Radiohead
As vendas para os dois shows do Radiohead no Brasil (20 de março, na pça da Apoteose, Rio; 22 de março, Chácara do Jockey, SP) começam à meia-noite desta sexta (ou seja, daqui a algumas horas). Pelo site www.ingresso.com, dá para comprar com cartão de crédito (não com cartão de débito, como havia informado erroneamente a organização). Pelos pontos-de-venda (bilheterias do Pacaembu e do Maracanazinho), apenas com dinheiro, a partir das 9h desta sexta-feira. Dá para comprar meia-entrada (não haverá limite de ingressos) tanto pelo site como nos pontos-de-venda. O preço da inteira é R$ 200. A capacidade para o show de SP é 30 mil pessoas; a do Rio, 35 mil. Segundo os organizadores, o sistema da ingresso.com aguenta até cem mil acessos simultâneos. O telefone de atendimento é 0/xx/21/3035-7621, e o e-mail, atendimento@ingresso.com.br.
O LCD Soundsystem e os Muppets
A melhor banda do mundo está ficando cada vez melhor. Abaixo, "New York I Love You", mas com a incrível participação de Caco, o sapo. E faça o favor de assistir até o final!

Free the chicken
Bi-curious mais famosa do pop, Katy Perry apontou suas músicas preferidas a pedido do Drowned in Sound. Entre as escolhidas, faixas de Chromeo, Paul Simon e de uns curitibanos que a gente conhece bem.
03/12/2008
Aqui e ali
"Chinese Democracy" pode até não estar vendendo nada, mas o lançamento do novo disco do Guns N' Roses está rendendo. Tem a história da Dr. Pepper, em que a empresa, no início do ano, soltou que daria uma lata do refrigerante a qualquer um se o Guns lançasse o disco em 2008. O Guns lançou o disco em 2008, e a Dr. Pepper teve de cumprir o que prometeu. Em 30 de novembro, um domingo, eles abriram o site da empresa para as pessoas se cadastrarem para receber um cupom que seria trocado por uma lata de refrigerante. A promoção seria válida apenas para aquele dia. Acontece que milhões de pessoas tentaram acessar o site e, claro, o sistema caiu. A Dr. Pepper então deixou o site no ar por mais um dia e abriu um número de telefone. A promoção irritou os empresários da banda, e um advogado de Axl Rose mandou uma carta pro presidente da Dr. Pepper dizendo que a empresa estava abusando dos consumidores e utilizando, sem permissão, a imagem do Guns. Parece que tem mais gente atrás da promoção da Dr. Pepper do que de "Chinese Democracy"...
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Já falei aqui do Asteroids Galaxy Tour, né? O coletivo dinamarquês, que processa soul + psicodelia + timbres espaciais, graças a um comercial do iPhone, está começando a bombar nos EUA. A banda, da ótima vocalista Mette Lindberg, acaba de excursionar pelos EUA, está sendo caçada por selos e gravadoras e preparar o lançamento de mais um EP, que sucede o primeiro, "Around the Bend". Abaixo, dance com "The Sun Ain't Shining No More".

Um tempo atrás, alguém colocou na net uma versão de "Runnin' With the Devil", do Van Halen, mas apenas com a voz do David Lee Roth. É sensacional. Agora outro alguém fez a mesma coisa, só o David cantando, mas com a faixa "Hot for Teacher". Tá aqui:

O Copa de Curitiba
Reportagem que saiu nesta quarta na Ilustrada sobre a ótima banda curitibana Copacabana Club. A edição impressa traz também um texto do Lúcio Ribeiro sobre os não menos ótimos Holger.
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Curitiba é hoje um dos principais centros do bom pop-rock feito no Brasil. Vêm da capital paranaense, por exemplo, os experimentalistas ruído/mm; a complexidade sutil do combo Wandula; o folk nervoso do Bad Folks; a esperta banda new wave Sabonetes. Mas converse com um curitibano (melhor: com um roqueiro curitibano) e invariavelmente você ouvirá reclamações de como a cidade é parada, não tem nada para fazer..."Sempre fomos assim. O povo reclama de tudo mesmo. Mas tem bastante banda rolando aqui, sim", conta Alec Ventura, 30, multiinstrumentista do Copacabana Club, banda que sintetiza a excelente safra roqueira desenvolvida em Curitiba nos últimos anos.O Copacabana Club é o caçula da turma. Acabou de completar um ano de vida, mas nesse pouco tempo traz na bagagem o EP "King of the Night" _uma jóia composta por quatro faixas irrepreensíveis_ e 17 shows _o último deles ocorrido na Funhouse, em São Paulo, em que a carismática vocalista Camila Cornelsen terminou cantando no meio do público.Junte a performance de Camila com as melodias extremamente caprichadas de músicas como "Come Back", "Just Do It" e "It's Us" e o resultado é uma banda dona de uma irresistível mistura de rock de garagem, synthpop e new wave.
A idéia de montar uma banda surgiu de Ventura, que após tocar no extinto grupo ESS e de uma temporada em Londres (de 2001 a 2006), voltou a morar em Curitiba.Certa noite, ele encontrou Luciano Frank, um dos donos do bar James. "Queríamos fazer um som juntos. A única prioridade era que fosse algo dançante. O ESS era mais eletrônico, agora queríamos algo mais orgânico, com um baterista mesmo", conta Ventura. Assim, surgiu o convite à baterista Claudinha Bukowski, que já havia tocado antes em banda."Em seguida, apareceu Camila, 25. "Ouvi eles conversando sobre montar uma banda. Todos eles já tinham experiência. Eu estava ao lado e disse: 'Não sei tocar nada, mas quero entrar na banda'. Aí eles me convidaram para participar do primeiro ensaio. Fizeram algumas melodias e eu cantei alguma coisa em cima. E deu certo."Para quem nunca havia cantado em público, Camila mostra uma performance de veterana: "Eu fazia balé e sapateado, então estava acostumada a dançar em frente a uma platéia", conta. "Mas desde o nosso primeiro show essa história de ser vocalista aconteceu bem natural, sempre me senti à vontade", diz ela, que cita Karen O., do trio nova-iorquino Yeah Yeah Yeahs, como referência. "Gosto de performance, de figurino, de maquiagem."
Primeira faixa do EP "King of the Night", "Just Do It" é um delicioso passeio de riffs de guitarra a la Strokes e de uma new wave ensolarada."Adoramos melodia", afirma Ventura, que toca guitarra, sintetizador e bateria eletrônica. Sobre o lado dançante do Copacabana Club, ele explica: "Quando montamos a banda, estávamos bem influenciados pela disco, mas pelo lado mais sombrio, dark. E também pelo electropop dos anos 80. São músicas que funcionam bem na pista", diz. "Além disso, gostamos bastante de Stevie Wonder, Stereolab, Sondre Lerche."Na banda, Ventura é encarregado de compor as melodias e Camila, as letras.Nesse pouco tempo de vida, já tocaram em bares e casas de shows em Curitiba, além de Rio de Janeiro, Florianópolis, Santa Maria, São Paulo. Estão escalados para o Pré-Grito Rock 2009, em Porto Alegre, na semana que vem.Melodias, letras, ótima performance ao vivo... Só uma coisa parece não encaixar na banda: o nome, Copacaban Club. Copacabana?"Não tínhamos idéia de como chamar a banda, aí as meninas sugeriram Copacabana. Não sei por quê. Depois o baixista veio com o Club. Acabou ficando", diz, rindo, Ventura.
Vaso ruim...
Lembra do Ronaldo Esper? Então, ele apareceu sábado no Glória. Olha como foi...
Melhores do ano - Ryan Adams
A pedido da revista Filter, o cantor Ryan Adams soltou sua lista de melhores lançamentos do ano. Dá uma olhada:
Testament - "The Formation of Damnation"Krallice - "Krallice"The Killers - "Day and Age"The Smiths - "The Sound of The Smiths: The Very Best of The Smiths"Metallica - "Death Magnetic"Mariah Carey - "E=MC"Coldplay - "Viva la Vida"Fleet Foxes - "Sun Giant EP"Ihsahn - "Angl"


Ney Matogrosso fará o Bandido da Luz Vermelha no cinema
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SILVANA ARANTESda Folha de S.Paulo, enviada especial a Brasília
O cantor Ney Matogrosso assumirá o papel do Bandido da Luz Vermelha no longa que dará seqüência ao título lançado em 1968 pelo cineasta Rogério Sganzerla e que se tornou um clássico do cinema brasileiro.
Ary Brandi/Divulgação
Ney Matogrosso, 67, com o figurino do show "Inclassificáveis"
"Gosto de desafios. Acho a vida interessante com desafios. Nesse, tem o que me assusta e o que me atrai, que é fazer a continuação disso, principalmente por ser um roteiro de Sganzerla", disse Ney à Folha, após acompanhar, no 41º Festival de Brasília, a exibição do curta "Depois de Tudo", de Rafael Saar, em que atua.
Sganzerla (1946-2004) dedicou-se ao roteiro de "Luz nas Trevas - Revolta de Luz Vermelha" até os dias imediatamente anteriores à sua morte, quando estava internado no Hospital do Câncer, em SP.
Concluído o trabalho, entregou-o à sua mulher, a atriz e diretora Helena Ignez ("Canção de Baal"). "Agora é teu", disse. Aos ouvidos de Helena, a dedicatória soou "como uma missão". Desde então, ela e as filhas do casal, Djin e Sinai Sganzerla, empenham-se em produzir o longa, que Helena dirigirá.
Neste mês, elas conseguiram reunir o R$ 1,6 milhão do orçamento de filmagens, que estão previstas para ocorrer em fevereiro e março de 2009.
"Filme apocalíptico"
Ney avalia que Sganzerla escreveu "um filme apocalíptico", que "fala com muita clareza de todos os véus que caíram --sobre autoridade, governo, estrutura humana, social. Ele desmascara tudo".
Na trama, passados 30 anos desde que o Bandido apavorava a burguesia paulistana, invadindo suas casas, seduzindo suas mulheres e discursando sobre as tensões sociais, ele está preso e descobre ter um filho chamado Tudo ou Nada, papel que será de André Guerreiro.
Djin Sganzerla interpretará Jane (nome da personagem de Helena Ignez em "O Bandido da Luz Vermelha"), a principal namorada de Tudo ou Nada. O músico Arrigo Barnabé também foi convidado ao elenco, para o papel de um delegado.
Depois de aceitar ser Luz Vermelha, Ney reviu duas vezes "O Bandido da Luz Vermelha" (em DVD), para ver a atuação de Paulo Villaça (1946-1992) no papel-título. "No palco, sou também ator, mas um ator de mim mesmo", afirma. Para viver outros personagens, ele diz que se dispõe à direção dos cineastas. "Eu me coloco em branco, para que me digam tudo o que pretendem."
Quando, conversando sobre o papel de Luz Vermelha, ouviu de Helena Ignez um sintético "Quero você", Ney estremeceu. "Isso me deixou perturbado, porque não sei exatamente que 'eu' ela quer."
A diretora explica: "Quero o Ney completo. Nesse personagem, ele deve usar a persona que usa exclusivamente nos shows, porque Luz Vermelha na prisão é um personagem completamente mítico".
Helena diz que chegou a cogitar um convite a Daniel Filho. Mas, ao ver as entrevistas que Ney deu ao cineasta Joel Pizzini para o documentário em preparação "Olho Nu", deparou-se com "esse revolucionário Ney, um cara que escandalizou e trouxe admiradores com ele há mais de 30 anos, como um bandido". Na prisão, ele irá "cantarolar e assobiar os mesmos lindíssimos boleros que Paulo Villaça cantava no filme original", diz a diretora.
Amanhã, o Festival de Brasília sedia o lançamento da edição do roteiro de "O Bandido da Luz Vermelha" (Coleção Aplauso; Imprensa Oficial de SP), que marcou a estréia em longas de Sganzerla, aos 22 anos de idade.
Leia mais
Terra - primeiras impressões
São 23h de sábado, o Offspring tá no palco principal (por onde já passou o Jesus & Mary Chain) e o Spoon no Indie (por onde já passaram Foals e Animal Collective).
O festival está com o mesmo (bom) clima do ano passado (e um formato também quase idêntico): as pessoas circulam, o acesso aos palcos, à comida e à bebida é fácil (assim como aos banheiros), tudo parece correr bem (o lugar é grande e tem 15 mil pessoas, então, obviamente, não dá pra pegar todos os detalhes). Nem o problema do festival passado, que foram os vários menores que deram com a cara na porta, parece ter rolado nesse - claro, em parte porque o problema (e os erros da organização) rolou mais cedo, como já noticiamos.
Voltamos em algum momento com mais comentários (dos shows, inclusive), mas a casa já está aberta para as impressões do público.
Show grátis em SP é cancelado
Por Audrey Furlaneto, da Folha
"Por falta de alvará da Prefeitura de São Paulo, a Telefônica teve de cancelar hoje [sexta] um show gratuito com dez artistas que seria realizado no domingo, no parque Villa-Lobos [em São Paulo]. No evento, em comemoração dos dez anos da empresa no Brasil, estavam previstos Paralamas do Sucesso, Daniela Mercury, Toni Garrido, Nando Reis, entre outros.
José Fortes, empresário dos Paralamas, disse que o grupo foi informado apenas na tarde de sexta sobre o cancelamento. A banda já estava em São Paulo para preparar o show.
'Comunicamos que, por motivos alheios à nossa vontade, não será realizado o show', informou a Telefônica em comunicado enviado à imprensa. Segundo Sérgio Aizenberg, diretor-presidente da Divina Comédia, produtora contratada pela empresa para organizar o evento, a subprefeitura de Pinheiros não liberou o alvará por acreditar que o show superaria a lotação permitida de 10 mil pessoas _além dos 35 mil freqüentadores (em média) do parque aos domingos.
'Os parques têm de ser públicos, ter alma e grandes acontecimentos, mas estão entregues apenas à vizinhança', diz Aizenberg. 'E ainda são grandes nomes brasileiros, e não shows internacionais', completa, referindo-se a outros shows realizados no parque Villa-Lobos, como os de Diana Krall, Macy Gray e Herbie Hancock."
De Sonic Youth ao Terra
Não gerou grande repercussão, mas ganha sessão no Cinesesc, em São Paulo, neste domingo (num horário meio ingrato, 22h40), o documentário "Dormindo Noites Acordadas", que tem o Sonic Youth como alvo. O filme foi dirigido por Michael Albright, estudante de uma ONG voltada ao ensino de cinema nos EUA, o Projeto Moonshine. Albright levou sua câmera a um show do Sonic Youth em Reno (Nevada) e captou, além de imagens da apresentação, entrevistas com Thurston Moore, Kim Gordon e Lee Ranaldo. A fotografia, em pb, é estilosa e faz um contraponto interessante aos ruídos das músicas da banda. Mas, um aviso: "Dormindo Noites Acordadas" é um belo programa para quem é fã do Sonic Youth; não é daqueles documentários tipo "Dig", cuja história interessa não apenas aqueles familiarizados com o assunto em questão. Aqui, foca-se nas canções ao vivo do Sonic Youth e em depoimentos que entregam alguns aspectos pouco conhecidos da personalidade dos músicos. Se você é fã, não perca.
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E não dá pra perder também o Planeta Terra, que rola neste sábado, em SP. Os 15 mil ingressos estão esgotados. A expectativa é grande, não apenas porque vai estar cheio, mas porque o line-up traz shows 1) inéditos por aqui; 2) imprevisíveis; 3) polêmicos.
Sei que você não perguntou, mas aqui vão minhas impressões:
- Kaiser Chiefs (que eu nem curto muito) e Spoon (que eu curto), que nunca vieram, costumam fazer shows elogiados;
- De Animal Collective, Breeders e Jesus & Mary Chain, não sei o que esperar. O primeiro pode fazer o show mais emocionante do mundo ou o show mais tedioso do mundo, depedendo do caminho que segue a apresentação. O humor de Kim Deal é quem vai ditar como será o Breeders. E o JAMC, bem. É uma de minhas bandas prediletas, gênios na arte de tirar melodias de barulhos e ruídos, mas estão velhos. Será que vai ser apenas noltalgia?
- E tem o Offspring e Bloc Party. O primeiro deve juntar a maior quantidade de gente no palco principal, mas o show deve ser triste, datado. Já o Bloc Party ainda arranca comentários maldosos devido ao playback no VMB e devido ao último disco, "Intimacy", que é meio... estranho, sem hits. Aposto que será legal. Será?
- E tem a tenda dance, que perde muito com a não-vinda do Calvin Harris. Porque Felix da Housecat e Mylo não produzem nada muito empolgante há um tempo, e Sebastian Léger não é nada demais.
- E tem Mallu Magalhães, claro, e Curumin, que para muitos (não pra mim) fez um dos discos nacionais do ano.
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Notícias da Inglaterra
1) O novo Queen, que vem aí, é caído ao vivo (tudo bem que eles tiveram muito mais shows do verdadeiro Queen para comparar...)
2) O Blur vai voltar, diz Damon Albarn
3) Dave Grohl vai batucar para o Prodigy
(tudo a partir do bom e velho "Guardian", meu jornal preferido no Reino Unido, ainda que o "Independent" tenha seus momentos também)
Barrados no Terra
"Entre as 15 mil pessoas que vão passar pelo festival Planeta Terra (os ingressos estão esgotados), em São Paulo, no próximo sábado (8/11), só uma menor de 18 anos será bem-vinda: é Mallu Magalhães, 16, que faz show em um dos palcos do evento.
Todos os demais serão barrados, porque, como no ano passado, o festival terá censura 18 anos, para revolta dos jovens fãs de Mallu e de Kaiser Chiefs, Bloc Party, Offspring e outras atrações.
'Eu tenho 14 anos e sou fã dos Kaiser Chiefs. Me lembro do dia em que, toda feliz, descobri que eles fariam um show no Brasil. Moro em Rondônia, mas falei com meu pai e começamos a juntar dinheiro para a passagem. Estava tudo acertado, mas minha felicidade acabou quando descobri que haveria censura 18 anos', diz a leitora Brigitte, por e-mail.
Por seu lado, a organização do festival diz que seguiu 'a portaria do Ministério da Justiça e o Manual de Classificação Indicativa, que o classificam como uma atividade para maiores de 18 anos uma vez que ele ocorre em período noturno, tem venda de bebidas alcoólicas e é localizado em local afastado do centro comercial e social da cidade de São Paulo'.
DesinformaçãoO problema é que, apesar da divulgação da censura na imprensa e no site do evento, nos postos-de-venda muitos vendedores não sabiam informar a classificação indicativa _uma confusão semelhante à do festival do ano passado.
'Comprei meu ingresso no dia 21/9, na Fnac do shopping Morumbi. Fui com a minha mãe e, antes de comprar, perguntamos para a vendedora sobre a censura, e ela nos informou que não sabia ao certo, mas que não importava, pois na hora todos entravam' diz Beatriz Corazza, 16.
'Quando comentei sobre o festival do ano passado, em que ficou gente para fora, ela disse que neste ano não haviam dado nenhuma informação sobre a censura ou sobre a proibição de vendas a menores de idade, que eu poderia ficar tranqüila, pois entraria no festival.'
Além da falta de informação de alguns vendedores, os dois primeiros lotes de ingressos vendidos (cerca de 2.000, segundo a organização) não tinham a classificação indicativa impressa.
A organização do evento reconhece o erro e diz que, 'embora a restrição de menores conste claramente em todo material relativo ao evento', vai devolver o dinheiro dos menores que compraram ingressos sem indicação de censura, 'para evitar contratempos'.
Em São Paulo, a devolução será apenas na bilheteria do Citibank Hall (av. dos Jamaris, 213, Moema)."
REM
Aposto forte no REM como um dos melhores shows do ano (para o meu gosto, possivelmente o melhor do ano), tendo em vista o repertório que eles têm apresentado nesta turnê e tendo em mente o sensacional show que eles fizeram no Rock in Rio 3.
Dito isso, não dá pra deixar de criticar as inacreditáveis escolhas feitas para abrir os shows da banda no Brasil: em Porto Alegre, Nenhum de Nós; no Rio, Fernando Magalhães; em São Paulo, nas duas noites, Wilson Sideral.
Enquanto isso, a Colômbia viu The Mars Volta abrir, a Argentina viu Bloc Party e Kaiser Chiefs, o Chile teve Kaiser Chiefs, Jesus & Mary Chain e Mars Volta.
De sorvetes a Villalobos
Sobreviveu ao fim de semana? Não foi fácil, pelo menos em São Paulo, com a quantidade de eventos que aconteceram na cidade. Na sexta, rolou festa de dois anos da Crew, no Glória. Foi das noites mais cheias da história do projeto, que recebeu na data a dupla americana Flosstradamus. Quem esperava um set hip hop ou pop encontrou uma surpresa; os dois desceram a mão no electro e na house, num set muito mais eletrônico do que o que a dupla costuma fazer. Sexta ainda teve DJ set do Anthony Rother no Clash. Ouvi falarem muito bem da noite.
Tudo bem, era uma festa corporativa, com open bar, mas mesmo assim não achei que encontraria no Haagen-Dazs Mix Music um público tão desinteressado pelas atrações que passaram pelo festivaal, no sábado. O evento, sediado num enorme galpão na Vila Leopoldina, recebeu 2.500 pessoas, cuja maioria parecia ter ido ali pela bebida de graça e pela aazaração. Poucos prestaram atenção e dançaram o set do VHS or Beta; não que tenha sido um ótimo set: eles mandaram um set bem comercial, com algumas faixas batidas, e mesmo com esse apelo a dupla não conseguiu chamar muito a atenção. O francês Yuksek teve um melhor resultado; faixas pesadas na medida, sem muitos excessos, com boas intervenções vocais. Depois, entrariam Uffie & Feadz e os Glimmers, mas era hora de sair dali e ir ao D-Edge, onde Ricardo Villalobos entrou pouco antes das 3h30.
E Villalobos, que em 2007 havia feito ali uma noite histórica, não desapontou. O que faz a diferença: Villalobos nos mostra o que nenhum outro toca. É o som dele. Não é minimal, não é house, não é tecno; é Villalobos music: minimal na essência, mas com bem-vindas adições de vocais, de timbres latinos, de graves dançantes. Saí de lá às 8h e ele ainda estava a mil. Será que o set de 2008 será dele também?
Escrito por Thiago Ney às 01h45

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Globo adapta quadrinho "Aline" em especial de fim de ano

AUDREY FURLANETO
da Folha de S.Paulo

Aline está deitada no divã. O analista se aproxima para perguntar: "Qual é a sua média de sexo atualmente?". Ela diz: "Três vezes por semana". "É uma média normal", afirma o analista. Ela continua: "Três vezes por semana com o Otto. Três vezes por semana com o Pedro. Três vezes por semana com os dois".
A relação de Aline com o sexo, entretanto, termina aí. Ela não dará sequer um beijo na boca no especial da Globo, que vai ao ar no dia 30. Inspirado na tirinha "Aline", do quadrinista da Folha Adão Iturrusgarai, o programa homônimo da emissora será uma versão, digamos, careta da libertina personagem das tiras -ou, como classifica o diretor Maurício Farias, para "todas as famílias brasileiras".
"Não queremos fazer uma Aline mais careta. Queremos uma Aline engraçada, irreverente. O fato de não ter um beijo me parece coerente com essa irreverência", avalia o diretor. Se, nas tirinhas, Aline circula nua entre os dois namorados Otto e Pedro, na televisão, vivida por Maria Flor, ela aparecerá vez ou outra na cama com os rapazes (Bernardo Marinho será Otto; Pedro Neschling fará Pedro), mas sempre no "antes e depois", devidamente coberta, "sem ser agressivo ou sexualmente explícito".
"Há uma influência evidente dos quadrinhos no especial, mas estamos trabalhando dentro de um universo mais realista, com um humor mais delicado", diz Farias. "Existem coisas que numa tira são hilárias como, por exemplo, um sujeito dar uma surra noutro com um bastão de beisebol. Isso num especial de TV não é nada engraçado."
Fiel ao "espírito"
Os atores concordam. "A gente é fiel ao espírito", afirma Bernardo Marinho, 20. "Mas não pode ter nu, bunda e maconha o tempo inteiro." Para Maria Flor, 25, a nudez e as cenas de sexo do desenho ganham um "ar cômico" porque são "estáticas". "Em movimento, na televisão, não ia ter essa comédia." O mais velho dos três atores, Pedro Neschling, 26, avisa: "Quem espera uma putaria vai se decepcionar". A Aline da Globo não é "uma devoradora de homens com dois garanhões". "Se fosse fazer a Aline [idêntica à das tirinhas], seria um pornô para o [canal] Sexy Hot", diz Neschling.
Todo gravado em São Paulo, o especial usou como locações o parque Ibirapuera, um apartamento apertado, além do salão de festas e do terraço do edifício Planalto, no centro da cidade, onde os três protagonistas imitam os passos da coreografia que aparece em "Bande à Part" (1964), de Godard. O filme foi um dos recomendados pelo diretor aos atores como preparação para os papéis: "Maria, Pedro e Bernardo são ótimos atores, mas são jovens", diz Farias. Clássicos como "Uma Mulher é uma Mulher" (1961), também de Godard, "Jules e Jim" (1962), de Truffaut, foram vistos pelo elenco, além de longas mais recentes, como "Os Sonhadores" (2003), de Bertolucci.
"Minha Aline vai pelo caminho de Jeanne Moreau [protagonista de "Jules e Jim']", avalia Maria Flor. "Ela é mais louquinha, intensa, livre." Já o Otto criado por Marinho é "sensível e intelectualizado", enquanto Pedro, segundo Neschling, é "um cara que vende o almoço pra pagar a janta". Para os fãs das tirinhas, aliás, ainda é preciso lembrar outra diferença: a minissaia preta e a camiseta azul da Aline dos desenhos passaram longe do figurino de Maria Flor. Na TV, Aline, que não beija na boca, usará salto alto, vez ou outra, meia arrastão e microvestidos fashion.
ALINE
Quando: 30 de dezembro, depois de "A Favorita"Onde: TV Globo
Classificação: não informada

Franz Ferdinand disponibiliza música inédita para download

da Folha Online
A banda Franz Ferdinand disponibilizou nesta quinta-feira uma música inédita para download no site do semanário britânico "NME".
Juan Medina (SPAIN)/REUTERS
Alex Kapranos, vocalista do Franz Ferdinand durante apresentação em Madri
Para fazer o download, clique aqui.
Trata-se da versão ao vivo de "What She Came For", single que a banda promete colocar entre as faixas de seu novo CD, "Tonight", previsto para ser lançado na Inglaterra e nos Estados Unidos no dia 26 de janeiro.
A música está hospedada em um hotsite especial, que conta ainda com notícias exclusivas da Banda, um concurso de ingressos para shows e uma galeria de fotos.
A música para download foi a forma que a banda e a revista encontraram para comemorar a estréia do site.


Portishead promete mais um álbum para 2009
da Folha Online
O novo disco do Portishead começará a ser gravado no começo de 2009. A informação foi dada pelo produtor do grupo, Geoff Barrow, em entrevista à "BBC6 Music".
Divulgação
Cantora inglesa Beth Gibbons, vocalista do Portishead, já está pensando em turnê
A afirmação deve surpreender, já que a banda ficou 11 anos para lançar o terceiro disco do grupo, "Third", em abril deste ano.
Em julho, o guitarrista Adrian Utley chegou a afirmar que o grupo não faria turnê com a intenção de lançar um novo disco o mais rápido possível.
"O interessante é que estamos em uma posição de sorte no momento. Não temos uma gravadora --nosso contrato acabou--, nem um contrato de publicidade", disse ele."Estamos por nossa conta, o que é assustador e estimulante ao mesmo tempo."
O produtor também disse que a linha do quarto álbum da banda já foi definida e que Utley e a vocalista Beth Gibbons já pensam em marcar datas para uma turnê.

Banda Stone Roses pode voltar em 2009, diz baixista
da Folha Online
O baixista da banda britânica Stone Roses, Mani, afirmou ao canal de TV online "Channelbee" que a banda pode se reunir em 2009.
Jeff Simpson/BBC
Os Stone Roses podem voltar depois de 13 anos separados, afirmou o baixista da banda
Ele, que hoje toca no Primal Scream, disse que tanto o guitarrista John Squire quando o baterista Reni estão animados com possibilidade da reunião. O problema ainda é convencer Ian Brown, o vocalista da banda.
"No ano que vem será o aniversário de 20 anos do nosso primeiro álbum [o homônimo 'Stone Roses']. É o momento ideal para isso [a reunião]. É algo que eu gostaria de fazer antes de estarmos todos gordos e carecas", disse Mani.
As especulações falam sobre as dificuldades no relacionamento entre Squire e Brown desde o grupo chegou ao fim, em 1996.
O Stone Roses tem um segundo álbum de estúdio: "Second Coming", de 1994.

Oasis lidera pesquisa de melhor álbum britânico em 50 anos
da Reuters, em Londres
A banda Oasis ficou com os dois primeiros lugares em uma pesquisa sobre o melhor álbum britânico dos últimos 50 anos, superando clássicos dos Beatles, Rolling Stones e Pink Floyd.O álbum de estréia da banda de Manchester, "Definitely Maybe", liderou a pesquisa feita para a revista Q e a HMV, e seu segundo álbum, de 1995, "(What's The Story) Morning Glory?", foi o segundo colocado.
Steffen Schmidt/Efe
Liam Gallagher, vocalista do Oasis, banda que lidera pesquisa de melhor álbum do país
Os Beatles ficaram com cinco dos 50 primeiros lugares, com "Revolver", "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band", "Rubber Soul", "Abbey Road" e "The White Album".
Os Rolling Stones entraram na lista apenas com "Exile on Main Street" (48o colocado) e "Let It Bleed" (50º). "Dark Side of the Moon", do Pink Floyd, um dos álbuns mais vendidos de todos os tempos, foi o nono na lista.
O editor da Q, Paul Rees, comentou: "Está claro que, por ter recebido três vezes mais votos que qualquer outro grupo, o Oasis é a banda mais amada do país".
Os primeiros 10 colocados da lista:
1) Definitely Maybe -- Oasis
2) (What's the Story) Morning Glory? -- Oasis
3) OK Computer -- Radiohead
4) Revolver -- Beatles
5) The Stone Roses -- The Stone Roses
6) Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band -- Beatles
7) London Calling -- The Clash
8) Under the Iron Sea -- Keane
9) Dark Side of the Moon -- Pink Floyd
10) Urban Hymns -- The Verve
Frank Miller leva Spirit ao cinema e fracassa
LEONARDO CRUZda Folha de S.Paulo
Frank Miller, 51, cria HQs desde a infância, era amigo de Will Eisner, leitor assíduo das histórias dele e em 2006 já tinha dirigido "Sin City", filme inspirado em um de seus próprios gibis. "Senti que era o melhor cara para este trabalho, pois conhecia a obra dele mais do que qualquer outra pessoa", diz Miller, sobre "The Spirit", sua versão para o cinema das aventuras do mais famoso personagem de Eisner.
Bem, seu filme é a comprovação de que nem sempre "o melhor cara para o trabalho" faz o melhor trabalho possível. "The Spirit, o Filme", que estréia nos EUA neste Natal e no Brasil em 6/2, é uma equivocada mistura de ação sem sentido e comédia sem graça que tenta, sem sucesso, reproduzir o espírito das histórias de Denny Colt, o detetive que sobrevive à morte para se tornar um vigilante mascarado em defesa de Central City.
Eisner (1917-2005) criou "The Spirit" em 1940 para inserções dominicais em uma rede de jornais dos EUA _seu personagem se distanciava dos heróis dos quadrinhos da época por não ter nenhum grande poder nem um conjunto de armas mirabolantes para combater o crime. Mulherengo, enfrentava seus inimigos no tapa, em histórias de mistério, clima noir e humor ingênuo.
O "Spirit" de Miller é mais "contemporâneo" _computadores e celulares surgem em meio ao cenário e figurino anos 40. É mais violento, e o humor inocente foi substituído pelo pastelão, que mimetiza o espírito de desenhos animados. Ao contrário de recentes versões de HQs ao cinema, aqui não há reflexões ou parábolas sobre o mundo atual. E Denny Colt continua um sedutor, mas com um superpoder: o seu corpo cura os ferimentos rapidamente.
Sobre as adaptações que fez no personagem, Miller defende que uma revisão era necessária: "Se mantivesse todos os detalhes do que Eisner fez quando tinha seus 20 anos, eu teria feito um filme, primeiro, muito bobo e, segundo, que ele jamais teria perdoado. Eisner era um experimentador, um inventor, e muito do que ele fez funcionou brilhantemente, e muito do que fez foi terrível".
Colcha de histórias
A linha mestra do filme é uma fusão de três histórias escritas por Eisner nos anos 40 e 50, uma sobre a origem do personagem e outras duas sobre a relação entre Spirit e Sand Saref, sedutora trambiqueira que é paixão de infância do herói e sabe sua identidade secreta.
A trama se resume à busca pelos tesouros guardados em dois baús que estavam em umnavio que naufragou na baía de Central City. Saref procura um deles. Octopus, o arquiinimigo de Spirit, quer o outro. A origem e o passado de Spirit estão ligados ao conteúdo dos dois.
Dada a fragilidade narrativa, o elenco faz o que pode. O novato Gabriel Macht ficou fisicamente parecido com o Spirit da HQ. Eva Mendes, como Sand Saref, não compromete. Samuel L. Jackson é um bom vilão _seu Octopus, criminoso que nos quadrinhos nunca mostrava o rosto, virou um cientista maluco que faz experiências genéticas atrás da imortalidade. Sua assistente é Silken Floss, vivida por Scarlett Johansson. Depois de três filmes com Woody Allen, ela poderia ter passado sem essa.
Questionado se gostaria de adaptar mais alguma HQ de outro autor ao cinema, Miller dizque não. Está focado em preparar as continuações de "Sin City" e "300", outra história de sua autoria levada às telas.
Mas nem obras posteriores de Eisner, como "O Edifício"? Nova negativa: "'Spirit' combina comigo porque foi escrito na fase romântica de Will Eisner, e eu sou muito romântico. Mas seu período naturalista, seus últimos trabalhos, eu os aprecio, mas não sou a pessoa certa para dirigi-los". A julgar por "Spirit", ainda bem.

Editoria de arte



Vídeo de John Lennon drogado vai a leilão nos Estados Unidos
da Folha Online
Um vídeo inédito de John Lennon drogado será leiloado neste domingo em Los Angeles. Trata-se de um trecho do cantor executando "Just Because", de Lloyd Price, em 1973.
AP
"Apenas um pouco de cocaína vai me deixar bem", diz Lennon em vídeo que vai a leilão
Os organizadores estimam que o valor do vídeo seja arrematado por um valor entre US$ 30 mil e US$ 40 mil, informou o jornal "New York Post".
As imagens, afirma o diário, têm seis minutos e são do período em que Lennon se separou de Yoko Ono para viver com May Pang --período que ele definiu mais tarde como seu "fim de semana perdido".
O vídeo começa com Lennon dizendo com dificuldade que gostaria de "pegar todas as novas cantoras, todas as pessoas que James Taylor teve". Ao final, ele conclui: "Apenas um pouco de cocaína vai me deixar bem".
O catálogo da casa de leilões afirma que, apesar de Lennon estar drogando, ele ainda "ainda soa decente".
Nova banda de Rodrigo Amarante marca shows no Brasil
da Folha Online
O Little Joy, nova banda de Rodrigo Amarante --ex-Los Hermanos-- com o baterista dos Strokes, Fabrizio Moretti, já tem data marcada para tocar no Brasil, informou a "MTV Brasil".
Divulgação
A banda Little Joy, que tem Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti entre os integrantes
A turnê da banda começa no dia 27 de janeiro em Porto Alegre (Bar Opinião), segue para São Paulo (dia 28, Clash Club), Belo Horizonte (dia 30, Festival Freegels) e termina no dia 6 de fevereiro no Rio de Janeiro (Circo Voador).
Clipe
O primeiro clipe da banda pode ser assistido no YouTube.
A música escolhida pelo grupo --que também conta com a cantora Binki Shapiro -- foi "Next Time Around".
Strokes e Los Hermanos
Enquanto a dupla divulga o disco "Little Joy", suas bandas originais estão na geladeira. Marcelo Camelo, ex-vocalista do Los Hermanos, afirmou à Folha Online que não há previsão para um retorno da banda.
Já Moretti afirmou que os Strokes planejam se reunir em fevereiro de 2009, pondo fim ao intervalo que segue desde o fim da turnê do álbum "First Impressions of Earth", de 2006.
Leia mais
Pearl Jam disponibiliza disco clássico em videogame
da Folha Online
A banda grunge Pearl Jam decidiu colocar seu disco clássico no videogame Rock Band.
Divulgação
Banda comemora 20º aniversário com lançamento duplo: nova versão "Ten" à vista
O principal disco do grupo, "Ten" (1991), estará no game a partir do dia 23 de março, informou a banda em seu site oficial.
O jogo já conta com a música "Alive", mas outros singles serão disponibilizados para download no jogo Rock Band 2, em março. Entram no jogo as faixas "Why Go", "Black", "Jeremy", "Once", "Even Flow", "Garden", "Oceans", "Porch", "Release" e "Deep".
Ainda no dia 23, a banda vai lançar uma versão do mesmo disco em CD com singles extras. A novidade conta com faixas ao vivo, inéditas e mixagens do produtor Brendan O'Brien.
Os lançamentos iniciam as comemorações de 20 anos da banda, que serão completados em 2011.

Documentário traz Tom Zé genial e feroz

LUIZ FERNANDO VIANNAda sucursal do Rio da Folha de S.Paulo
Pode ser ainda mais curioso assistir agora ao bom documentário "Fabricando Tom Zé", lançado em 2007.
No mês passado, reabrindo uma ferida que parecia fechada, o protagonista do filme de Décio Mattos Jr. mandou Caetano Veloso às favas (em outros termos) e esbanjou mágoa: "Não posso aceitar agora o seu colo e do grupo baiano, que durante todos esses anos me separaram até do que era meu, enquanto gozavam todo o prestígio e privilégios, talvez como ninguém mais neste país analfabeto".
No filme, que chega hoje à TV, Caetano faz um mea-culpa: "Quase o [Tom Zé] deixamos ser esquecido, em muito pouca medida pelas carências dele, incapacidades ou incompetências, e muito mais pela singularidade de sua genialidade".
É difícil saber se há motivos para Caetano e Gilberto Gil --que também depõe no documentário-- ficarem razoavelmente culpados ou Tom Zé ficar tão intensamente magoado. Mas as duas frases citadas refletem características do baiano que são fartas no filme.
De um lado, a "singularidade de sua genialidade", seu experimentalismo constante, seu desapego a rótulos e confortos. Do outro, sua pesada passionalidade, que o leva a atacar com ferocidade um técnico de som do Festival de Montreux.
O filma louva Tom Zé sem poupá-lo de constrangimentos. Melhor para quem vê.
"Fabricando Tom Zé"Quando: hoje, às 20h30Onde: SescTVQuanto: não indicado a menores de 12 anos
Tom Zé se rende à bossa nova em novo disco
AUDREY FURLANETOda Folha de S.Paulo
Tom Zé vem tendo "pesadelos sensacionais". Gravou o que considera seu primeiro disco de músicas "cantáveis", chamado "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza". "Eu inauguro um novo espaço na minha vida, onde faço pela primeira vez músicas melódicas, cantáveis", diz.
Eloy Alonso Gonzales/Reuters
Tom Zé lança o disco "Estudando a Bossa - Nordeste Plaza", com músicas "cantáveis"
"As transformações são assim. Todos os pesadelos meus têm uma mortandade enorme. Eu mato milhões de pessoas e estou o tempo todo ameaçado de morrer", conta, rindo. Por outro lado, com "Estudando", diz que vive uma das fases mais felizes de sua vida ao descobrir que suas músicas, agora, são "fáceis de se amar".
"Estudando a Bossa", que sai pela Biscoito Fino, tem menos ruídos e mais melodias suaves, como em "Barquinho Herói", "Filho do Pato" e "Roquenrol Bim-Bom", com delicadas vozes femininas de Fernanda Takai, Andréia Dias, Jussara Silveira e Anelis Assumpção, entre outras cantoras.
O resultado são faixas distantes do Tom Zé que diz ter feito música "crua e bárbara" enquanto os "bossa novistas finíssimos" Caetano Veloso e Gilberto Gil, nos anos 60, investiam em sons muito "depurados, muito perto da compreensão do que [Tom] Jobim, João [Gilberto] e [Carlos] Lyra estavam fazendo".
"Esses são verdadeiros homens finos", diz. "Tentei fazer essa coisa [em "Estudando a Bossa"] já que meu próprio espírito, graças ao tipo de leitura que tenho feito, graças ao tai chi [chuan] que pratico, graças à mulher com quem sou casado, que é uma mulher culta [Neusa Martins], passou por uma transformação até ser capaz de criar um disco de bossa nova."
Segundo o músico, sua relação com os "homens finos" foi de "fã à distância cósmica e, por isso, apaixonado". "Não sou do cacife desses grandes artistas."
Nave extraterrestre
A idéia de "Estudando a Bossa" aproveita a efeméride dos 50 anos da bossa nova e, se tem algo em comum com "Estudando o Samba" (1976) e "Estudando o Pagode" (2005), o músico diz que é apenas o fato de se debruçar sobre um gênero que, neste caso, ele viu nascer.
"Na rádio Excelsior da Bahia, em agosto de 58, de repente tocou uma coisa que era imensamente absurda, uma nave extraterrestre pousando em nossos ouvidos e, ao mesmo tempo, estava entranhada em toda a história do samba que a gente conhecia", lembra o músico.
A partir daquele dia, avalia Tom Zé, os músicos de sua geração tiveram de "exacerbar sua capacidade perceptiva, para poder conviver com a chegada no planeta Terra da gravação de "Chega de Saudade'".
O momento seguinte à chegada daquela nave, ele resume como "uma febre de neurônios, ansiedade e paixão" --ou, como diz na letra de "João nos Tribunais", "diante do desafinado, o mundo curva-se, desova".
Catherine Deneuve relembra o início da carreira e a relação com cineastas
ARNAUD DESPLECHINTexto publicado originalmente na "Film Comment"
Arnaud Desplechin é cineasta francês, diretor de "A Amada" (2007) e "Reis e Rainha" (2004), entre outros filmes. Tradução de Clara Allain.
É claro que há sua beleza chocante, direta. Catherine Deneuve é bela de uma maneira direta. E porque ela carrega essa beleza deslumbrante com grande serenidade.
E há sua audácia --Catherine é audaciosa!
Sua velocidade --é a atriz mais veloz do mundo (ela rejeita a ênfase; a estupidez a entedia).
Sua rebelião: nunca jogar os jogos dos adultos! Ela certa vez descreveu Mastroianni como "um garoto", porque ele nunca se esqueceu da criança que tinha sido. Devido a sua rebelião, Catherine é a atriz favorita de todas as crianças francesas. Porque é uma menina.
Um de seus segredos: nunca se queixar, nunca explicar --uma rainha!
16.mai.2008/Jean-Paul Pelissier/Reuters
Catherine Deneuve comenta trabalho com grandes diretores como Luis Buñuel, François Truffaut, Roman Polanski e Lars Von Trier
Catherine Deneuve - Isto vai ser sério?
Pergunta - É para a "Film Comment". É um pouco como uma "Cahiers du Cinema" dos EUA.
Deneuve - Eu não leio "Les Cahiers"; compro, mas não leio. Essas revistas são na realidade para pessoas que refletem sobre o cinema, que pensam o cinema. Não são feitas para pessoas como eu. Na verdade, não leio muito sobre filmes.
Pergunta - Eu leio "Les Cahiers" desde que tinha 16 anos.
Deneuve - Para mim há duas coisas: ação e reflexão. E constato que sou mais uma pessoa de ação. Sou leitora lenta, então prefiro passar esse tempo assistindo a um filme.
Pergunta - Mas, quando a sra. começou, esse sonho de estar no cinema não se materializava em conversas? Chama minha atenção quantas das pessoas com quem a sra. trabalhou em seus primeiros filmes eram ligadas à nouvelle vague: Doniol-Valcroze, Vadim, Delerue, Coutard... Eles não adoravam falar de cinema?
Deneuve - Sim, mas essas pessoas gostavam mais de fazer piadas que de falar seriamente. Eram como eu, mais ligadas à ação.
Pergunta - A sra. nunca foi à Cinémathèque?
Deneuve - Às vezes. Um dos primeiros filmes que fui ver na vida foi "A Selva Nua". Fiquei tão impressionada! Eu era jovem... É sobre formigas que devoram tudo. É um filme muito belo em Technicolor, com Eleanor Parker, uma linda ruiva americana, e Charlton Heston. Era um filme de aventura americano com uma história muito improvável.
Recordo-me desse filme porque foi um dos primeiros que vi na vida --esse e "A Mulher do Rio", com Sophia Loren. Você a vê num arrozal, um pouco como Silvana Mangano em "Arroz Amargo" --um filme muito belo, muito realista, em que ela perde seu filho... Esperei ter um namorado cinéfilo para começar a ir ao cinema. Eu não ia por conta própria, apenas porque queria.
Pergunta - Então a sra. não era cinéfila na época em que fez seus primeiros filmes?
Deneuve - Sim, eu era, eu já tinha assistido a muitos filmes. Eu era muito jovem quando tive um namorado, então comecei a assistir a filmes interessantes aos 15 anos, mais ou menos na época em que fiz "Les Portes Claquent" [As Portas Batem] (1960). Ver "Ivã, o Terrível" exerceu um efeito tremendo sobre mim.
Pergunta - Isso foi na Cinémathèque?
Deneuve - Não. Foi na margem esquerda (do Sena), e isso para mim foi como viajar a um país estrangeiro. Ir a um bairro diferente era realmente...! E, como meu namorado morava na margem esquerda, fomos ver o filme num cinema na rue de Rennes.
Pergunta - Era o Arlequin, um cinema que pertencia ao Partido Comunista.
Deneuve - Sim, o Arlequin. Meu namorado era muito jovem, muito comunista, muito objetor de consciência, todas essas coisas.
Pergunta - Antes disso, a sra. não ia ao cinema com freqüência?
Deneuve - Muito pouco. Não saíamos muito como família.
Pergunta - Apesar de seu pai e sua mãe serem atores?
Deneuve - Meu pai trabalhava no teatro e era dublador, mas não vivíamos naquele meio. Minha mãe nos criou muito normalmente e muito seriamente, e o cinema não fazia parte de nossa vida de família.
Pergunta - A sra. tampouco ia ao teatro com muita freqüência, é verdade?
Deneuve - Quase nunca. Minha mãe trabalhava no teatro. Ela foi decana no Odéon antes de chegar aos 30 anos! Tinha começado lá ainda criança. E descobri, muito mais tarde, que minha avó tinha sido ponto no Odéon. É claro que fui assistir a minha irmã, Françoise Dorléac, quando ela estava em "Gigi".
Pergunta - Suas duas irmãs começaram a atuar antes da sra.
Deneuve - Mas minha irmã mais nova, Sylvie, só o fazia casualmente. Esteve num filme chamado "Les Petits Chats" [Os Gatinhos]. Fui figurante com ela algumas vezes. Também fez uma ponta em "Os Amores de Colegiais" (1957). E, como era época das férias escolares e eu queria ganhar um dinheirinho, apareci naquele filme também. Eu devia ter 13 anos na época.
Pergunta - Quem a sra. curtia mais --atores ou diretores?
Deneuve - É estranho, mas os atores nunca me fascinaram muito --com a exceção de Marilyn Monroe. Para mim, sempre foi o filme em primeiro lugar. Quando era adolescente, eu não era nem um pouco cinéfila; fui parar no cinema por coincidência. Foi minha irmã quem começou a trabalhar no teatro, o percurso clássico. O primeiro papel de minha vida foi ao lado dela, fazendo o papel de sua irmã.
Por essa razão sempre me senti um pouco à margem, até conhecer Jacques Demy. Foi então que me dei conta de que o cinema poderia ser outra coisa, quando comecei a ter um relacionamento (profissional) com alguém que realmente me queria, para esse filme em particular. Foi então que deixou de ser coincidência. Demy me tinha visto num filme chamado "L'Homme à Femmes" [O Homem das Mulheres, 1960], com Danielle Darrieux.
Pergunta - Demy lhe tinha oferecido o papel em "Os Guarda-Chuvas do Amor" (1964) muito antes de o filme ser feito. As filmagens tiveram que ser adiadas...
Deneuve - Sim, porque eu estava grávida.
Pergunta - A sra. já tinha feito o trabalho de Marc Allégret, mas aquilo foi uma coisa pequena, e então veio o filme de Pierre Kast, "Vacances Portugaises" [Férias Portuguesas, 1963].
Deneuve - Aquilo foi um papel pequeno. Esse, para mim, é o filme mais nouvelle vague que fiz na vida! Havia Doniol-Valcroze, Aptekman, Françoise Arnould, Françoise Brion... Foi quando me dei conta de que estava grávida. Eu devia ter apenas 19 anos.
Pergunta - Mas foi apenas depois de fazer "Os Guarda-Chuvas" que o cinema virou sua paixão?
Deneuve - Sim. Acho que o fato de o filme ser musical contou muito. Fizemos o filme com muito pouco, e acho que isso o beneficiou. Tínhamos que ser muito, muito criativos. Acabei passando muito tempo com Jacques. Eu estava presente a todas as gravações. Depois disso, trabalhei com a música do filme. E então eu estava grávida, de modo que ele adiou as filmagens. Rodamos o filme dois meses depois que dei à luz.
Pergunta - Além do trabalho de atriz, a sra. estava muito presente durante o trabalho de direção.
Deneuve - Com certeza, porque a preparação realmente era responsável por metade do filme. Era um filme que já existia antes mesmo de ser rodado. Eu me lembro de que, quando ouvimos a música, todos nós ficamos incrivelmente comovidos, apesar de ainda não haver imagens. Jacques era muito exigente, mas também muito tímido, e gostava de rir. Eu me reconheci completamente em sua maneira de trabalhar.
O processo de produção do filme era cheio de brincadeiras, e eu achei isso muito atraente: tudo me pareceu extraordinário. E acho que senti que Jacques me via como indispensável. Compreendi que o cinema tinha o potencial de ser assim: encontros entre pessoas que querem fazer coisas muito incomuns.
Se o filme não tivesse se saído bem, acho que teria sido uma história diferente --aquilo confirmou para mim que o mais importante era fazer coisas que você quer fazer com pessoas em quem confia e cujas idéias não lhe parecem convencionais demais. Para mim, alguma coisa mudou definitivamente quando trabalhei com Jacques. Alguma coisa profunda aconteceu em torno do relacionamento que podemos ter com um filme.
Pergunta - A sra. sabe o que teria querido fazer se as coisas não tivessem acontecido dessa maneira?
Deneuve - Eu provavelmente não teria feito nada. Eu teria me casado com meu namorado, que tinha ido para a guerra na Argélia, teria tido filhos e me divorciado três anos depois, com certeza! Acho que eu teria gostado de ser arquiteta. Sim, coisas que mais tarde eu desejei que meus filhos fossem. Arqueóloga --obviamente, isso não tem nada a ver com ser atriz! Para mim é absolutamente fascinante, então tentei incentivá-los... Especialmente meu filho, que era muito meticuloso, muito organizado. Minha filha diz: "Você tentou comigo, mas não por muito tempo". É que com Chiara foi mais difícil. Isso me teria feito feliz: antropóloga ou arquiteta. [Ela pensa mais um pouco e depois começa a rir.]
Pergunta - Aquele filme me comove profundamente. Freqüentemente, no cinema, um personagem só conquista o direito de ser herói se seus sentimentos são absolutos. Os sentimentos triviais precisam ser mantidos escondidos. Acho emocionante que nada de Geneviève seja escondido. Ela está grávida, é jovem, odeia seu amante porque está entediada. É a natureza trivial de suas emoções que me espanta. Outra atriz e outro diretor teriam exigido da personagem que provasse seu "absoluto" ao público. Para mim ela prova seu "relativo", e isso é muito mais comovente.
Deneuve - Isso é Demy, exatamente isso! É todo um jeito de filmar, como olhar a situação desde uma altura particular.
Pergunta - Como a sra. acha que Elia Kazan teria filmado essa heroína trivial --mas não tola?
Deneuve - É engraçado que você mencione Kazan, porque quando assisti a "Os Guarda-Chuvas" de novo, alguns anos atrás, isso me chamou a atenção: é exatamente o mesmo final que "Clamor do Sexo". Adoro esse filme. É uma das histórias de amor mais lindas que já vi no cinema. E a cena final é exatamente a mesma que a de "Guarda-Chuvas". Ele está na fazenda, com suas calças de trabalho, sua mulher, a criança, e ela volta... Foi tão comovente enxergar essa semelhança. Acho que é um dos filmes mais loucos, mais audazes sobre o tema do amor. Especialmente pelo fato de um rapaz fazer uma moça despertar para a vida de tal maneira! "Clamor do Sexo" trata tanto do amor desenfreado. A idéia de que o amor pode fazer você enlouquecer. É isso o que acontece: você fica insano! Saber como transmitir isso, fazer atores representarem assim. E é uma mulher muito jovem! Chegando ao ponto de vê-la partir para o hospital, porque ela está morrendo de amor, quer morrer. Aquele filme me nocauteou.
Pergunta - Geneviève também é muito jovem em "Guarda-Chuvas".
Deneuve - Sim, e isso é o suficiente. As duas são muito jovens.
Pergunta - Muitas outras coisas que fazemos quando somos jovens --como os personagens de Kazan ou os de "Guarda-Chuvas"-- fazemos por coincidência, ou por razões triviais.
Deneuve - É claro.
Pergunta - Mas é como recapturar tudo isso, o significado que a sra. atribui a isso com o tempo, como o usa e como transforma escolhas triviais numa escolha artística.
Deneuve - Sim, concordo plenamente.
Pergunta - Quando considero todos seus filmes, vejo uma qualidade singular que não enxergo em outros atores. O que vejo é a marca de uma autora. Além da excelência de sua atuação, o que seus filmes parecem compartilhar é seu olhar.
Deneuve - Sim, você tem razão, é isso que é: um olhar. Acho que sempre tendi a isso. Talvez por nunca ter feito escola de atuação e nunca ter trabalhado com atores. Eu só os encontrava nos sets de filmagem --nunca tive realmente amigos atores, com a exceção de minha irmã. Eu sempre estava ao lado do diretor ou do roteirista. Não escolhi que fosse assim --simplesmente aconteceu.
Pergunta - A sra. falou antes de sua paixão por Marilyn. Mais tarde, a sra. tingiu seu cabelo de loiro, e esse gesto me fascina.
Deneuve - Foi um gesto de amor.
Pergunta - Existe uma ambigüidade nesse gesto. Foi uma rebelião ao estilo de Monroe, um sonho ao estilo de Demy, ou classicismo hitchcockiano? É como a pergunta que um jovem cineasta se poderia fazer: de que serve o cinema?
Deneuve - O cinema me ajudou a amadurecer, isso é certo. Eu realmente era ignorante de muitas coisas. É difícil imaginar como o fato de fazer parte de uma família grande muda seu relacionamento com o mundo de fora. Porque uma família grande é ao mesmo tempo muito protetora e muito fechada. Foi quando me dei conta de que eu tinha o anseio de partir. Achei isso um pouco preocupante, então saí de casa ainda bastante jovem.
Pergunta - A sra. tingiu seu cabelo por amor, como afirmação. Do mesmo modo, escolheu um sobrenome, o sobrenome de sua mãe.
Deneuve - Era impossível para mim ter o mesmo sobrenome que minha irmã Françoise. Ou, pelo menos, foi o que minha família disse na época. Françoise estudara no Conservatoire, tinha trabalhado no teatro. Quanto a mim, eu nem sequer tinha certeza se continuaria a ser atriz. Para aquele primeiro filme, meus pais sugeriram o sobrenome de minha mãe. Se eu tivesse que refazer aquilo, não tomaria essa decisão. Amo profundamente minha mãe, mas não gosto de seu sobrenome de solteira. É difícil de pronunciar. Prefiro meu sobrenome verdadeiro [Dorléac].
Pergunta - Eu o interpretei como uma declaração de independência.
Deneuve - Eu não o inventei! Minha mãe falou: "Você vai usar meu sobrenome de solteira". Eu falei "sim, OK". Não vi aquilo como algo permanente. Não achei que eu continuaria a trabalhar no cinema. Minha cabeça estava em outro lugar inteiramente.
Pergunta - A sra. era bastante jovem quando conheceu Kast, Varda, Demy, Chabrol...
Deneuve - O encontro com Chabrol não foi grande coisa. Vou lhe contar o que aconteceu. Ele queria fazer um curta com Stéphane Audran naquele papel. Estava determinado a ter uma grávida fazendo o papel da mulher de Francis Blanche em "As Maiores Vigarices do Mundo" (1964). Stéphane deu à luz uma semana antes do previsto. Eu estava grávida ao mesmo tempo e dei à luz uma semana depois dela, então estava grávida de quase nove meses quando rodamos o filme. Foram apenas dois dias.
Pergunta - Cercada por todas aquelas pessoas --estou pensando também em Polanski ou Rappeneau--, o cinema não lhe parecia um campo de batalha entre o antigo e o moderno?
Deneuve - Não, eu não tinha consciência de que tudo aquilo estava acontecendo, porque minha vida era muito distante daquele ambiente. Eu sempre mantive minha vida amorosa muito reservada, na medida em que consigo, e sempre escolhi os filmes que quis fazer. Aqueles eram dois mundos separados que nunca se misturavam. Em última análise, o cenário do cinema não fazia parte de minha vida, de maneira alguma.
Pergunta - A experiência de fazer "Repulsa ao Sexo" (1965) em Londres com Polanski durante a revolução pop exerceu um efeito mais forte sobre a sra. que a guerra dos modernos, na França?
Deneuve - É engraçado, porque nós três éramos franceses: Roman, que, apesar de ser polonês, falava francês o tempo todo, Gérard Brach e eu. Éramos realmente os Três Mosqueteiros. Todas as outras pessoas no set eram britânicas. Roman sabia exatamente como fazer para ser respeitado pela equipe; não era de se deixar dominar. Mas, pelo fato de falarmos francês, vivemos a experiência de fazer aquele filme um pouco pelo lado de fora, num ambiente singular. Éramos um núcleo no interior da equipe.
Pergunta - Como o filme que a sra. fez com Demy, "Repulsa ao Sexo" exige uma proximidade entre o diretor e a atriz.
Deneuve - Sim, eu me sentia muito, muito próxima de Roman. Aquele é o filme que sinto que eu ajudei a fazer. Os produtores estavam acostumados a produzir pornô. Era um filme de orçamento pequeno, e, para eles, nada de grande importância... A experiência com Roman foi muito importante para mim.
Pergunta - É um papel assustador. Quando penso em alguns de seus outros papéis em "A Bela da Tarde" (1967), "Tristana" (1970), "Liza" (1972)... É preciso ser corajosa para isso! Se olharmos sua carreira...
Deneuve - Para mim essa coisa de "carreira" não existe.
Pergunta - Outra atriz teria aceito esses papéis porque são escandalosos.
Deneuve - Não, não. Para mim, de jeito nenhum.
Pergunta - Mas o que me chama a atenção em sua performance é que a sra. aceita o papel porque acha que talvez não seja tão escandaloso assim, afinal. Ou que o escândalo é também uma parte inerente da vida.
Deneuve - Sim, isso é absolutamente verdade. Pareceu interessante e normal. Recordo-me de ter encontrado um jornalista em Los Angeles na época em que saiu "Os Ladrões" (1996), de Téchiné, que me disse: "Você não sabe como vocês têm sorte, vocês atrizes da Europa. Uma atriz americana jamais aceitaria representar uma lésbica num filme, após uma certa idade e em determinado ponto de sua vida ou carreira. É arriscado demais." Admito que sempre ziguezagueei. Você sabe, realmente depende de que filmes lhe são oferecidos.
Talvez as pessoas aceitem mais minhas escolhas, enquanto, no caso de outra pessoa, diriam "que estranho que ela fez aquilo". A porta que se abriu para mim depois de "A Bela da Tarde" foi tão grande que muitas coisas puderam passar por ela. É um filme que ficou maior com o tempo. Saiu-se bem quando foi lançado, mas apenas mais tarde se tornou mítico, quase um filme cult. E aquele personagem virou até certo ponto um símbolo, uma heroína estranha. E, porque eu a representei, as pessoas supunham coisas a meu respeito.
Pergunta - Confesso que prefiro "Tristana".
Deneuve - Eu definitivamente prefiro "Tristana" a "A Bela da Tarde"!
Pergunta - A sra. representou Tristana da mesma maneira em que representou Marie em "A Farsa do Amor e da Guerra" (1966). Não, estou me expressando mal. As duas personagens são muito diferentes, mas a sra. não caiu na armadilha "gótica" com a primeira. Por outro lado, a sra. enfatiza o lado fantástico da segunda. E as duas personagens compartilham a eloqüência de sua perspectiva sobre a vida, ou sobre a ficção. Eu me referi a isso antes como sendo a marca da autora.
Deneuve - Talvez seja uma incapacidade de fazer de outra maneira. Talvez seja uma escolha que não é realmente uma escolha. Talvez seja uma impossibilidade de fazer qualquer outra coisa.
Pergunta - Sua performance como Tristana é estupenda. Os saltos que a personagem faz, da dor à inocência, da alegria ao desespero. E então a amargura. É uma jornada e tanto.
Deneuve - Sim, a experiência de fazer aquele filme foi única. E é raro representar um personagem que passa por tantos estados emocionais.
Pergunta - No diário que a sra. escreveu no set de "Tristana", a sra. registrou que as primeiras cenas que rodou foram as cenas de sua amargura, ambientadas no hall. A sra. escolheu seu próprio figurino e fez sua própria maquiagem. Enquanto Buñuel está em outro lugar, rodando outra cena, a sra. se confere um rosto fantasmagórico...
Deneuve - Eu tinha mencionado a Buñuel a rainha malévola de "Branca de Neve". Com Buñuel, a experiência foi única, porque ele era muito modesto e gostava de fazer piadas sobre as coisas. Truffaut era igual. Quando estávamos filmando, nunca falava comigo de modo direto.
Pergunta - A sra. menciona que durante a filmagem da cena da sacada, Buñuel disse: "Nada de psicologia". Essa cena fez história! Por causa dela, Hitchcock escreveu uma carta a Buñuel lhe falando de sua admiração e dizendo que tinha inveja dessa tomada. Uma cena tão escabrosa, tão chocante, não pode ser explicada com a psicologia.
Deneuve - Às vezes você tem que aceitar que a imagem é mais poderosa que você, que as intenções do diretor são mais fortes que você. Por isso a performance exigia ser extremamente permeável, aberta, sem nenhum pensamento por trás. Quando me disse: "Você sorri", a idéia era ficar tão impávida possível enquanto sorria e me abster de colocar uma intenção atrás do sorriso. Já havia intenção suficiente ali, para começar!
Ao mesmo tempo, Buñuel era extremamente modesto. Mesmo com os atores, parecia... Eu sentia por ele. Era evidente que aquela não era sua etapa favorita do processo de criação cinematográfica. Era algo pelo qual ele era obrigado a passar: para que o filme exista, é preciso que os atores representem papéis. Mas o que ele dizia era mínimo. Era mais o que dizia fora do filme, ou o que estava escrito. Mas era realmente preciso tentar imaginar, ou adivinhar, o que ele teria a dizer. Ele era muito grosseiro em sua maneira de falar. Na verdade, isso me fazia rir.
Pergunta - A sra. já trabalhou com vários diretores muito mais velhos: Buñuel, Melville, Oliveira. Mas, olhando sua carreira, nunca tive a impressão de que fossem relacionamentos filiais, e sim que poderiam ser mais bem caracterizados como fraternos.
Deneuve - Acho que isso se deve a meu lado masculino.
Pergunta - Também estou pensando, neste momento, em "Dançando no Escuro". Sua personagem está num canto do teatro, de mau humor, e a sra. diz "não quero fazer papel de cachorro". Mas começa a latir, mesmo assim. A sra. está de mau humor, mas faz assim mesmo. Não se trata de submissão, mas de diálogo.
Deneuve - Seria difícil explicar exatamente o que aconteceu naquele momento. Porque, na realidade, eu não deveria latir. Também é verdade que eu lembrei que tinha feito a mesma coisa em "Liza". Sou em quem late quando gravamos o som. Fiz o papel de cachorro. Eu tinha dito a Ferreri: "Como estou representando a cadela, também farei o cão!" E assim eu tinha gravado o cachorro latindo, também. Por sinal, eu estava grávida de Chiara quando fiz aquele filme.
Não sei o que aconteceu com Lars von Trier. Alguma coisa, um pouco de desfaçatez... E não sou uma garota muito descarada. Acho que é preciso ter muita confiança para ser capaz de fazer isso. Você precisa ser capaz de pensar: "Sei subconscientemente que, se não funcionar, ele não vai incluir no filme".
O que me assusta mais quando estou com um diretor e a sensação não é boa é quando penso: "Ele não tem ponto de vista, não sabe exatamente o que está fazendo, não será capaz de julgar". Quando é assim, não posso me dar por inteiro, porque não haverá ninguém para me segurar. Assim, qualquer coisa que eu fizer estará ali. Para mim, isso é o pior. Não confiar, sentir desconfiança. Eu me contenho, quando, na realidade, quero me entregar quando estou filmando. Mas é verdade que, para me entregar, preciso sentir muita confiança. E isso não tem nada a ver com idade ou experiência. Tem a ver com intuição.
Pergunta - Ou a sra. precisa ter bom gosto suficiente para os dois.
Deneuve - Se percebo que o diretor e eu não temos o mesmo gosto, então recuo para dentro de minha concha. É uma coisa terrível. Esse é o perigo para os atores, de maneira geral. O maior perigo é o medo ou a falta de confiança. Sem confiança, você não pode se atirar em certas direções. Acho que isso acontece mais com atores que com atrizes.
Pergunta - "Film Comment" é uma revista americana, então eu deveria realmente estar lhe fazendo perguntas sobre o método, a invenção desse ou daquele personagem, como a sra. encontrou um certo gesto. Mas a sra. certa vez deu uma resposta que me comoveu muito: "Meu relacionamento com o personagem é feito de coisas mentais que não se devem colocar em palavras. Fazê-lo seria imodesto. O momento mais decisivo de meu trabalho em torno de um personagem acontece quando estamos filmando. Esse momento é tão tenso, tão exaustivo que, quando termina, preciso de portas corta-fogo entre o set e mim. De volta a meu camarim ou ao hotel, eu me isolo, porque o estado em que fico no set é exaustivo demais."
Deneuve - É verdade que, quando estamos filmando, sou capaz de me concentrar muito rapidamente, mas isso me cansa. Me põe num estado! Um estado que lembra um transe. Então, o que preciso é ou um truque para atingir um tipo de transe calmo ou um truque para atuar como sonâmbula.
Pergunta - Emmanuelle Devos me disse certa vez que as pessoas freqüentemente perguntam: como a sra. inventa um personagem? Quando, é claro, há toda uma preparação prévia.
Deneuve - Não para mim.
Pergunta - Mas no final, o que fica, o que o público vai ver, são os 5% que restam. Esses 5% são o que acontece durante a tomada. E o tempo de uma tomada é absoluto.
Deneuve - Não há dúvida de que algumas coisas começam a acontecer antes: algumas são subconscientes, outras são conscientes. Em meu caso, acontece em relâmpagos. Sou incapaz de trabalhar sozinha, sem um diretor, sem alguém para me conduzir. Mas isso não condiz em nada com minha idéia de o que deve ser um personagem de filme. Eu preciso absorver o que vai acontecer no set naquele dia, a locação, a luz.... Preciso saber o que acontece antes na história. Para mim, isso é o mais importante: me relacionar com o personagem, em relação a onde estamos no filme.
Talvez isso tenha a ver com o fato de que nunca fiz papéis de personagens típicos. Mesmo com "Tristana", que exigia um pouco de trabalho desse tipo. Mas Buñuel e eu conversávamos fora do set, jantávamos juntos. O mesmo acontecia com André Téchiné. A gente se encontra, mas sempre termina falando de outra coisa. E, mesmo que tenhamos acabado falando de outro assunto, algo de útil terá resultado disso. Tivemos uma conversa sobre outro assunto, mas ao mesmo tempo estamos conscientes do que nos cerca, da razão de estarmos aqui --as questões estão muito presentes em nossas cabeças. Mas nunca é simples e direto, nunca.
Pergunta - Agora vou fazer um desvio: um dia eu me dei conta de que o ódio ao kitsch é uma tendência no cinema moderno. Para o público, o kitsch pode ser OK.
Deneuve - Sim, mas não para você!
Pergunta - É tão mais agradável quando é mais enxuto. Então aqui estão três princípios antikitsch: primeiro, rapidez. "Deneuve atua rápido demais. Truffaut fala rápido demais. Godard edita rápido demais." Fantástico! Nunca se pode ser suficientemente rápido.
Deneuve - Téchiné também. Hoje em dia é uma loucura! Às vezes eu digo a ele: "Você não nos está dando tempo suficiente para entender!" Ele já fala rápido demais, de qualquer maneira. Mas ele mal suporta os silêncios entre as falas. Quer que tudo seja muito veloz. É uma urgência intensa que vem se acentuando mais em seu trabalho. Eu digo isso a ele!
Pergunta - Outro filme que se recusa a ceder ao kitsch é "Guarda-Chuvas". Demy prefere o trivial à pose heróica. Geneviève não precisa ser uma personagem abstrata ou uma vítima para ser fascinante.
Deneuve - Sim, isso mesmo.
Pergunta - Agora um terceiro princípio. Ouvi um programa sobre Truffaut no rádio neste verão. Ele estava falando de roteiros. Estava irritado com uma cena inicial. "Um homem caminha pela rua, com pressa." Sim, mas como sabemos que está com pressa? E por que está com pressa? Será que precisa ir ao banheiro? Está caindo numa demência profunda? Está sendo perseguido pela máfia? O risco está em representar as palavras "com pressa", quando na realidade é preciso representar a cena. E como o público vai interpretá-la.
Deneuve - Sim, é claro! É verdade que eu preferiria estar na situação que na "sentença" ou nas "palavras". É a situação que me transporta.
Pergunta - Quando vejo a sra. atuar, sinto que nos está contando alguma coisa. E essa alguma coisa me comove. Em seus diários de filmes, uma vez, quando se irritou ao trabalhar com Stuart Rosenberg, ("Um Dia em Duas Vidas", 1969), a sra. escreveu: "Sua câmera sugestiva me aborrece".
Deneuve - Stuart era adorável, mas era muito passivo. Não era nem sequer devagar. A passividade é terrível. Eu gostava dele. Mas a passividade cria um ambiente pesado, que não é conducente. Eu estava sofrendo um pouco. Então, para acrescentar intensidade! Ao mesmo tempo, eu adorava Jack Lemmon, que era um ator tão leve, tão maravilhoso. Mas estava passando por um momento difícil em sua vida...
Pergunta - Um papel que adoro, que é bastante escandaloso, é no filme "Crime e Paixão" (1975), de Robert Aldrich.
Deneuve - Sim, com Burt Reynolds. Tinham me avisado sobre o diretor: "Ele é misógino! É muito intransigente com as atrizes." Foi a primeira vez em que estive num set em que havia duas câmeras rodando continuamente. Eu tinha conversado com Aldrich e dissera a ele: "Se essa posição de câmera é boa para a tomada ampla, como pode também ser boa para o close?*". Nós nos demos bem. Mas me recordo de ter pensado: "Uma das duas não pode estar no lugar certo, evidentemente! Não se pode ter uma posição boa para duas tomadas diferentes." O que ele queria captar a cada vez era a intensidade. É verdade que freqüentemente, quando você tenta usar os closes depois, ficam horríveis.
Pergunta - A continuidade me assusta. Adoro os cortes abruptos no cinema mudo.
Deneuve - O cinema mudo é outra coisa inteiramente.
Pergunta - Adoro ver uma tomada ampla de Lillian Gish, em desespero contido. Então, quando a câmera chega mais perto, o desespero se torna mais extremo. Ou o contrário: a tomada ampla que a mostra torcendo as mãos, aflita, e depois volta para seu rosto, que está impassivo.
Deneuve - É engraçado porque fiz uma entrevista, não faz muito tempo, em que eu disse que adoraria fazer um filme mudo. Mas teria que ser moderno. Um filme curto, moderno, mudo. Acho que eu realmente gostaria desse exercício.
Pergunta - Téchiné filma com duas câmeras. Mas me parece que busca a descontinuidade em primeiríssimo lugar.
Deneuve - Com certeza. Ele começou a mudar sua maneira de filmar em "Minha Estação Preferida" (1993), quando usou duas câmeras. Ele queria filmar os dois atores ao mesmo tempo. Chegou a fazer seqüências muito longas, com as câmeras montadas num carrinho. Você pode ver as câmeras se atravessando na tomada. Então ele tem que cortar. Mas filmar dessa maneira confunde muito as pessoas. É complicado para o operador da câmera. Muda muitas coisas. Foi assim que ele começou. Então, quando fizemos "Os Ladrões", ele queria filmar closes dos dois atores simultaneamente. Quando conhecemos Julien Hirsch, quando fizemos "Les Temps Qui Changent" [Tempos que Mudam, 2004], ele passou a fazer algo completamente diferente.
Pergunta - E o que dizer de Michael Mann? Procura a continuidade ou a descontinuidade? Ele tem câmeras por toda parte.
Deneuve - Assisti a "Miami Vice" de novo. Eu não tinha gostado realmente da primeira vez. Mas, mesmo assim, é toda uma outra maneira de filmar; é fascinante. Há uma força, uma energia incrível. Seus filmes são muito longos, mas não há tomadas gratuitas. Quando decide filmar a nuca de um ator, há uma tensão real. Está ali, não é de maneira alguma apenas um efeito. É surpreendente. Ele faz você sentir o peso das coisas.
Pergunta - A sra. mencionou anteriormente o sonambulismo. Encontrei uma frase que Truffaut disse a seu respeito: "Catherine é uma 'atriz desacelerada', é um pouco lenta."
Deneuve - Verdade?
Pergunta - "As atrizes que atingem um status mítico são um pouco mais lentas que as outras." Isso me trouxe à mente aquelas palavras que a sra. empregou: transe e sonambulismo.
Deneuve - Sim, talvez. É verdade. Mas é espantoso, mesmo assim. O que é irritante é quando você tem que representar algo anódino. Às vezes assisto a filmes de ação e penso: "Meu Deus, eles devem ter se entediado tanto! Quantas vezes tiveram que repetir aquilo?*". Acho isso terrível. Você tem que fazer isso, tem que ver aquilo, então tem que entrar num carro... Isso se aplica sobretudo aos filmes de ação.
Pergunta - Sim, mas o carro, os olhares, o tédio... Isso é exatamente James Stewart em "Um Corpo que Cai"! A sra. conheceu Hitchcock. A sra. tinha um projeto com ele...
Deneuve - Sim, eu deveria fazer um filme com Hitchcock. Era ambientado no norte também, como "Cortina Rasgada". Seria uma história de espionagem. Na época, ainda não passava de uma sinopse. Almocei com ele em Paris, e ele morreu alguns meses mais tarde. Eu teria adorado trabalhar com ele.
Pergunta - Ele filma aquelas coisas mundanas, mas mesmo assim a sra. sente a tensão. Com ele, o ator tem plena consciência de que está sendo filmado. Como num filme de Oliveira!
Deneuve - Sim, mas nesses filmes é muito engraçado. Truffaut também tinha isso, de tempos em tempos. Aquele jeito inteligente e astuto de saber que certas coisas precisam ser filmadas de certa maneira. Ele aprendera isso com Hitchcock, observando-o e fazendo aquele livro com ele ["Hitchcock/ Truffaut"]. Uma maneira inimitável de filmar. François falava livremente sobre o que fazia e como filmava as coisas. Cara a cara: tinha que ser uma conversa reservada, nunca um debate público.
Pergunta - A sra. conversou muito com Truffaut e Belmondo no set de "A Sereia do Mississippi" (1969)?
Deneuve - Foi uma filmagem muito singular. Ele estava escrevendo os diálogos enquanto trabalhávamos. Deslizavam as cenas do dia seguinte debaixo da porta do quarto do hotel, durante a noite.
Pergunta - No roteiro e em sua própria cópia do livro, Truffaut sublinhou todas as pistas que nos ajudam a entender em que etapa o casal está, fisicamente. É muito sugestivo e muito tosco.
Deneuve - Sim, concordo. É um filme nada modesto. Foi difícil para mim, em alguns momentos. Mas, sim, esses momentos são precisos: se ela sente que ele está desconfiado, ou se as coisas foram bem e ela sente que pode abusar de sua confiança... Sim, é tosco. Mas o relacionamento dela com Belmondo é difícil.
Pergunta - Belmondo está maravilhoso no filme, mas o público francês não gosta de ver um homem representando um papel feminino.
Deneuve - Especialmente não quando esse homem é Jean-Paul Belmondo! Mesmo ele próprio. Era esse o problema. Ele queria trabalhar com François [Truffaut], mas acho que se deu conta de que era um filme mais para mim que para ele. Além disso, ele estava noivo de uma atriz, e isso não facilitava as coisas. Houve um choque real. Ele parou de filmar. Estávamos rodando uma cena difícil, e Jean-Paul não gostou dela. François disse: "Vamos ensaiar mais um pouco". E Jean-Paul deve ter achado que era tarde demais, que já era hora de almoçar, então foi embora.
François ficou um pouco surpreso e depois disse: "Está bem, não vamos rodar. Não vamos rodar hoje." Ele e eu almoçamos juntos em Marselha. Quando Jean-Paul voltou, uma hora e meia depois, e não encontrou ninguém lá, foi uma catástrofe terrível. Acho que, para François, tinha sido um misto de fatores. Ele não conseguia sentir aquela cena, e a atitude de Jean-Paul tinha agravado isso. Eu me lembro, fiquei tão perturbada! Achei que era uma insensatez, fiquei em pânico. Especialmente porque eu vinha passando muito tempo com François, conversando, e percebi desde o início que isso era um problema para Jean-Paul.
Pergunta - A cena final na neve foi mais ou menos improvisada, não foi?
Deneuve - Ele queria que fosse como um desenho animado. Quando chegamos a Grenoble, ele queria que o final fosse.... Foi então que fui a rainha malévola, aquela que envenena Branca de Neve.
Pergunta - E Hitchcock, qual de seus filmes o fez querer conhecê-la?
Deneuve - Foi por meio de François. Porque eles costumavam se encontrar quando Hitchcock vinha a Paris, então nós já tínhamos nos encontrado.
Pergunta - E a sra. nunca esteve pessoalmente com Renoir?
Deneuve - Não.
Pergunta - Existem filmes de Renoir que significam muito para a sra.?
Deneuve - Oh, sim, "O Rio Sagrado".
Pergunta - Demy não conhecia Renoir?
Deneuve - Não, quando Jacques estava em Los Angeles, rodando "Model Shop", nós às vezes almoçávamos na casa de Cukor, mas nunca com Renoir. Ele já devia estar muito cansado. Isso me lembra, eu assisti a "As Mulheres". É bom, mas quanta crueldade! Cukor não gostava realmente de mulheres.
Pergunta - Adoro "Rich and Famous".
Deneuve - Sim, Jacqueline Bisset e Candice Bergen. Foi bom.
Pergunta - Seu filme favorito de Godard? Entre os recentes.
Deneuve - Não, não entre os recentes. Quando ouço as palavras de seus filmes recentes, acho que são absolutamente maravilhosas. Fico incrivelmente comovida. Mas, quando assisto aos filmes, não consigo me identificar realmente com eles. Dos filmes de Godard, eu diria provavelmente "O Demônio das Onze Horas". Mas não conheço suficientemente os filmes de Godard.
Pergunta - Um filme favorito de Scorsese?
Deneuve - Ahnn... Não, não "A Época da Inocência". "Cassino" é realmente brilhante. Ah sim, já sei: "Touro Indomável".
Pergunta - Obviamente, porque a sra. é mulher e adora identificar-se com Jake LaMotta.
Deneuve - É sobretudo por causa de De Niro. Assistir a um ator tornar-se aquilo para um filme, vê-lo conseguir ser filmado desse jeito por seu diretor, acho isso... A única coisa que me irrita um pouco nos filmes de Scorsese são as mulheres. Acho elas um pouco pisoteadas.
Pergunta - "Alice Não Mora Mais Aqui" é maravilhoso!
Deneuve - Ah, sim, mas Ellen Burstyn é uma atriz maravilhosa. Com essa exceção, ele não se interessa muito pelas mulheres, não é verdade?
Pergunta - Tenho a impressão de que "O Último Metrô" (1980) foi mais formativo, exerceu um efeito maior sobre a sra. que "A Sereia do Mississippi".
Deneuve - Sim, você tem razão. "A Sereia do Mississippi" é muito mais complicado. Mas "O Último Metrô" foi muito diferente. Para começo de conversa, conversávamos muito, passamos muito tempo juntos. Ele [Truffaut] nunca assistia às tomadas do dia. Dizia: "Vou vê-las no final de semana". Eu costumava vê-las. Ele me pedia para lhe dizer o que eu tinha visto. Conversávamos muito sobre cinema, sobre atores. Essa era sua paixão. Os filmes, é claro, mas principalmente os atores e as atrizes. E, porque ele era tão apaixonado por isso, você não podia se impedir de ouvi-lo. Ele e eu conversávamos muito naquela época.
Pergunta - No artigo que escreveu sobre a sra., Truffaut disse: "Catherine não é uma flor. Uma mulher, uma flor, essas coisas são tolas. Catherine é um vaso no qual o público coloca o buquê". A sra. mesma descreveu o trabalho que faz como sendo uma página em branco sobre a qual o filme é escrito.
Deneuve - A idéia de François sobre o vaso é muito verdadeira. A página em branco... Sim, é verdade, eu realmente prefiro começar sem intenção nenhuma, em vez de chegar com minha própria idéia. Sou incapaz de decidir o que é uma personagem. Ao mesmo tempo, a partir do momento em que aceitei o papel e li o roteiro, sei que as coisas vão circular em minha cabeça. Isso não vai acontecer o tempo inteiro, mas nunca vai parar por completo. Mas não sou obcecada; não tenho dificuldade em sair do personagem, à noite. Sempre fico feliz quando estou filmando e sempre fico feliz por deixar o set à noite _é verdade que sempre há uma espécie de fadiga nervosa. Que eu sei que fica escondida em algum lugar durante as filmagens. Há algumas coisas que se encaixam em seus lugares sem que eu faça nada. Hoje sei disso.
Pergunta - Certo, agora vou começar um jogo bobinho com a sra.. É um quiz. Mas não quero incomodá-la...
Deneuve - Não, vá em frente!
Pergunta - Picasso ou Matisse?
Deneuve - Eu diria Picasso.
Pergunta - Rolling Stones ou Beatles?
Deneuve - Rolling Stones.
Pergunta - Cidade ou campo?
Deneuve - Cidade, mas gosto do campo, mesmo assim.
Pergunta - Renoir ou Bresson?
Deneuve - Como você é cruel, me perguntando isso! Vou dizer Bresson. Não... Oh, Renoir, quando eu era mais jovem. Agora, acho que eu provavelmente diria Bresson.
Pergunta - Locação ou estúdio? Me surpreendi muito ao ler que a sra. gosta de rodar em estúdios.
Deneuve - Prefiro paisagens naturais. Mas, em alguns filmes, as paisagens naturais são tão estreitas, o barulho é tão alto, a presença da equipe é tão forte, que fica muito difícil encontrar intimidade.
Pergunta - Flaubert ou Stendhal?
Deneuve - Stendhal.
Pergunta - Pollock ou Warhol?
Deneuve - Pollock.
Pergunta - Beethoven ou Mozart?
Deneuve - Que difícil... Sabe o que é, eu poderia traçar uma linha pelo meio e dizer: essa é minha noite, esse é meu dia. Direi Mozart porque quero parar de chorar.
Pergunta - Shakespeare ou Molière?
Deneuve - Bem, Shakespeare, sim.
Pergunta - Essa pergunta foi fácil demais. Shakespeare ou Strindberg?
Deneuve - Essa é difícil! Ainda direi Shakespeare.
Pergunta - Fácil demais. Strindberg ou Tchekov? Agora estou sendo canalha.
Deneuve - Amo tanto os mundos dos dois! Não posso fazer uma escolha.
Pergunta - Tenho uma solução: Nicholas Ray ou Téchiné?
Deneuve - (rindo, ela canta) Téchiné, Téchiné!
Pergunta - A sra., evidentemente, está ligada ao que eu chamaria de o novo realismo francês: Téchiné, Garrell, a oportunidade perdida com Pialat...
Deneuve - Oh, aquela oportunidade perdida! Que pena...
Pergunta - Apesar disso, há uma frase de Godard da qual gosto muito porque ela menciona algo que a sra. compartilha com a nouvelle vague. Godard disse que prefere "imprimir uma expressão" a "expressar uma impressão". Isso é semelhante a sua idéia da página em branco.
Deneuve - Sim, é muito belo. É exatamente isso.
Pergunta - Constato que, quando a sra. está atuando, antes de expressar suas impressões, o que é valioso e é sem dúvida uma das tarefas do ator, a sra. primeiro imprime uma expressão. A sra. a imprime na tela. É isso o que acho tão único na sra. Então, para concluir meu quiz: Stanislavski ou Brecht?
Deneuve - Oh, Brecht! Por outro lado, quando penso nas situações de alguns de meus personagens... eu já fui cega, muda, amputada, assassina, vampira, mãe, mãe adolescente, lésbica, alcoólatra, ladra...
Pergunta - Então o que dizer daquela atriz muito reservada, burguesa?
Deneuve - É inacreditável! Fico chocada quando as pessoas falam a meu respeito e me resumem como loira, fria e solene. As pessoas se apegam a qualquer coisa que reforce suas próprias idéias preconcebidas sobre uma pessoa.
Pergunta - Isso me chama a atenção igualmente em Truffaut. Foi o único do grupo que realmente tinha sido um bad boy, mas assistimos a seus filmes como se fossem burgueses. O que amo nele é sua tendência ao extremo. Com a sra. também, há um lado malcomportado que se manifesta nos papéis que a sra. escolhe e a maneira como os representa. A sra. deve saber que, quando aceita determinado papel, as pessoas ficarão chocadas, que há uma transgressão...
Deneuve - Nunca penso no público até depois de o filme estar pronto! Mesmo depois de ser feito, sempre tenho a esperança de que o filme e o público se encontrem no meio, mas, se as pessoas não gostam dele, embora isso me incomode, não atrapalha o prazer que senti em fazê-lo. Acho que tenho públicos diferentes. O número de pessoas que falaram comigo sobre "Um Conto de Natal"... Pessoas que talvez nunca tivessem ousado falar comigo antes.
É muito estranho. Eu posso ter passado uma hora sentada ao lado de alguém, e, justamente quando a pessoa está prestes a ir embora, ela diz algo que estava morrendo de vontade de me dizer. Este é um dos filmes sobre os quais as pessoas mais me falaram. Há algo de jubiloso no personagem, algo de que as pessoas realmente gostam. A cena com Amalric no jardim deixa as pessoas fascinadas. Ela é ao mesmo tempo insolente e verdadeira, e o que estão dizendo é que é de muito mau gosto --porque esse não é o tipo de palavras que deveriam ser ditas entre mãe e filho-- e que as comove. É muito estranho. As pessoas freqüentemente dizem "adorei seu último filme, foi maravilhoso". Mas, neste caso, há aquele aspecto jubiloso da personalidade dela.
Pergunta - É a Frente da Libertação do Ator. Quando personagens e atores têm consciência do que são e o que estão dizendo na tela. Sendo que, normalmente, o personagem é um idiota, o ator é um animal e o diretor manipula ambos.
Deneuve - Sim!
Pergunta - Esqueci de lhe fazer algumas perguntas. Posso?
Deneuve - Sim, vá em frente.
Pergunta - A sra. não deve ter conhecido Bazin, já que não fazia parte da mesma turma...
Deneuve - Não. François falava sobre ele. Muito.
Pergunta - Que atores americanos exerceram um efeito sobre você? Cooper?
Deneuve - Sim, mas ao mesmo tempo, estranhamente, eu os achava muito assexuados. Muito sexy e muito assexuados. Os atores vieram mais tarde, para mim. James Dean, sim, eu o achava muito comovente, diferente, surpreendente. Eles vieram mais tarde para mim: Pacino, De Niro. Esses dois em especial. Mas há muitos outros atores americanos que amo. Francamente, acho muito mais fácil pensar nos nomes dos atores americanos que nos dos europeus. Com a exceção dos britânicos. Adoro os atores britânicos.
Pergunta - Realmente? Quem?
Deneuve - Estão todos mortos: Lawrence Harvey, Tom Courtenay, Peter Finch... e Albert Finney, que hoje me lembra tanto do pai de Chiara, fisicamente. É fantástico o quanto me lembra Marcello.
Pergunta - A sra. disse algo sobre Mastroianni uma vez que eu adoro. Disse que no cinema, diferentemente do teatro, não há homens e mulheres, apenas meninos e meninas.
Deneuve - Bem, é verdade!
Pergunta - Concluo com Truffaut e outro trecho do mesmo texto: "Se a humanidade se divide entre exibicionistas e voyeurs, Catherine é voyeur, logo está mais próxima da vida." Acho isso perfeito.
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Alice Cooper, Iggy Pop e Moby participam de novo filme sobre vampiros
da Folha Online
Um novo filme sobre vampiros com estrelas da música chega aos cinemas no ano que vem. "Suck" vai contar com a participação de músicos como Moby, Alice Cooper e Iggy Pop, informou o site da revista "NME".
Jack Plunkett/AP
O cantor e produtor Moby faz frontman de uma banda em filme sobre vampiros
Moby falou sobre sua ponta na produção. "Eu só tenho 45 palavras, mas elas são 45 palavras importantes. Então eu devo ser devorado", disse ele.
O músico será Beef Bellows, o frontman de uma banda chamada "Secretaries of Steak", cujos fãs jogam carne sobre o palco enquanto eles tocam.
"Suck" --escrito e dirigido por Rob Stefaniuk-- está previsto para estrear nos cinemas americanos no ano que vem.
Vampiros
Outro filme de vampiros vem sendo um grande sucesso de bilheterias. "Crepúsculo" --que conta a história de vampiros e amor na adolescência-- virou um dos maiores fenômenos de Hollywood em 2008.
O filme, feito com US$ 37 milhões, já faturou US$ 150 milhões desde sua estréia nos EUA e cobriu seus custos de produção nos primeiros três dias de exibição só em território americano.
"Crepúsculo", que estréia hoje, é um dos maiores fenômenos do ano
da Folha de S.Paulo
Quando a revista "Entertainment Weekly" estampou na capa as estrelas de "Crepúsculo", Kristen Stewart e Robert Pattinson, cinco meses antes da estréia do filme nos Estados Unidos, seus editores não deviam imaginar que seria a edição mais vendida do ano, à frente até do número sobre "Batman -O Cavaleiro das Trevas". Desde então, este filme sobre vampiros e amor na adolescência virou um dos maiores fenômenos a atingir Hollywood em 2008.
Divulgação
"Crepúsculo" conta romance adolescente entre garota e vampiro; filme estréia hoje no Brasil
Feito com US$ 37 milhões, "Crepúsculo", que estréia hoje no Brasil, já faturou US$ 150 milhões desde sua estréia há um mês nos EUA. Cobriu seus custos de produção nos primeiros três dias de exibição só em território americano.
Sua trilha sonora também chegou ao primeiro lugar da parada musical americana. Além disso, turbinou as vendas da série de livros que deu origem ao filme -já passaram das 17 milhões de cópias vendidas no mundo todo.
É a adaptação do primeiro volume da série "Crepúsculo", da norte-americana Stephenie Meyer. No Brasil, os dois primeiros números dessa saga, "Crepúsculo" (ed. Intrínseca, 416 págs., R$ 39,90) e "Lua Nova" (ed. Intrínseca, 480 págs., R$ 39,90), estão entre os mais vendidos nas livrarias. O segundo deles, que vai virar filme com estréia prevista para 20 de novembro do ano que vem, entrou para a lista de mais vendidos já em primeiro lugar.
A versão cinematográfica do primeiro número, dirigida por Catherine Hardwicke, tem arrancado até agora reações mistas dos críticos, mas é sucesso unânime entre seu público alvo: meninas adolescentes, com os hormônios em ebulição, e um ou outro menino emo. "Acho que nunca uma autora ficou tão feliz com a adaptação de seu livro para o cinema quanto eu", disse Stephenie Meyer à imprensa estrangeira.
Amor e vampiros
Mas não é tão difícil explicar a comoção. "Crepúsculo" mistura alguns ingredientes básicos para o sucesso em Hollywood: ídolos teen de beleza avassaladora, um amor impossível e vampiros.
É a história de um desses mortos-vivos, muito bonito e, de quebra, do tipo que não morde humanos, já que sua dieta é sangue animal, que se apaixona pela frágil, delicada e estonteante colega de classe, uma menina de verdade, com tudo que isso acarreta: delírios, exageros passionais e muito calor.
"É a história de uma jovem mulher que se apaixona tão profundamente que ela nem se importa se vai morrer ou se virar vampira também", disse Catherine Hardwicke, ao "New York Times". "Tem algo de muito perigoso e magnético nisso. É um amor obsessivo, não muito distante de "Romeu e Julieta", ou até de "Titanic"."
É verdade também que o britânico Robert Pattinson, na pele do vampiro Edward Cullen após encarnar Cedric Diggory em dois filmes da franquia "Harry Potter", já é apontado como o próximo Leonardo DiCaprio. Nas sessões de autógrafo do filme, houve desmaios das meninas mais frágeis e até uma que, no alvoroço em torno do astro num shopping de San Francisco, quebrou o nariz.
"Queremos que este filme seja um grande evento, que o herói seja mesmo um herói", disse Nancy Kirkpatrick, responsável pelo marketing da série. "Sabemos que será enorme."


Jim Carrey volta à comédia no longa "Yes, Man"
da Efe, em Los Angeles
O ator Jim Carrey se reencontra em "Yes, Man", sua primeira comédia desde 2005 após vários projetos dramáticos e na qual retoma os trejeitos que o tornaram famoso.
Divulgação
Jim Carrey em cena do filme "Yes, Man"; longa marca o retorno do ator à comédia
No filme, que estréia nesta sexta-feira (19) nos EUA, Carrey interpreta um bancário que muda sua vida por um programa de ajuda pessoal, que consiste em dizer que "sim" a todas as coisas que cruzam seu caminho.
Seu personagem aprenderá coreano, pilotará aviões e praticará esportes de risco, como saltar de uma ponte.
O ator gravou a cena do salto apesar da oposição dos estúdios Warner e dos produtores do filme, que consideravam desnecessário expor o artista a uma seqüência perigosa que pudesse pôr em risco toda a gravação.
"Foi uma loucura e acho que tive estresse pós-traumático durante pelo menos uma semana. Mas fiz de primeira", disse Carrey em entrevista coletiva realizada em Los Angeles por ocasião da promoção do filme.
"Pensei que, se fazia um filme chamado 'Yes, Man', tinha que fazer algo que afetasse minha vida real, e por isso decidi saltar da ponte", explicou o ator, assinalando que o lugar do salto é conhecido como "ponte do suicídio".
A cena, segundo confessou, ficou para o último dia de rodagem para evitar possíveis atrasos nas gravações caso algo saísse errado. "Mas saiu tudo bem e de primeira", disse o ator.
A história exigiu do protagonista ter aulas de coreano, um idioma completamente novo para ele.
"Passei quatro semanas para aprender o roteiro em coreano foneticamente. Tinha um treinador pessoal que me pressionava para que o fizesse perfeitamente porque temia por sua volta à Coréia se eu não o fizesse bem", brincou.

Robert Downey Jr. e Jamie Foxx estrelam filme sobre violinista
O ator Robert Downey Jr. voltará às telas ao lado de Jamie Foxx. A nova produção narra a vida de Nathaniel Ayers, violoncelista e violinista americano que acaba nas ruas por problemas mentais, informa hoje o jornal "Variety".
Divulgação
Ator Jamie Foxx, que interpreta o músico Nathaniel Ayers no filme "The Soloist"
Downey Jr. viverá um jornalista do "Los Angeles Times" que faz amizade com o músico, interpretado por Foxx, quando ele já está vivendo nas ruas. O nome do filme é "The Soloist".
Nathaniel Ayers foi estudante da prestigiosa escola de artes Juilliard, e desenvolveu uma esquizofrenia que o deixou completamente isolado, tocando com virtuosismo o violino e o violoncelo nas ruas de Los Angeles.
Foxx, que toca piano na vida real, está tendo aulas com instrumentos de cordas na orquestra filarmônica de Los Angeles para se preparar para as filmagens previstas para iniciar em janeiro.
Jamie Foxx e Robert Downey Jr. rodam novo filme em janeiro
da Reuters, em Los Angeles
Jamie Foxx, Robert Downey Jr. e Rachael Harris começam a rodar no próximo mês o filme "The Soloist", nova produção do diretor Joe Wright ("Desejo e Reparação").
Luis M. Alvarez/AP
Jamie Foxx vai rodar filme sobre a vida do violoncelista Nathaniel Ayers em janeiro
Foxx fará o papel de um músico sem-teto e esquizofrênico que sonha em tocar na sala Disney Hall, em Los Angeles.
Downey Jr. será um colunista do jornal Los Angeles Times, cujos artigos inspiraram o filme.
Já Rachael Harris será sua colega de trabalho.
O projeto da DreamWorks é um drama musical sobre a vida de Nathaniel Ayers, violoncelista e violinista americano que estudou na renomada escola de artes Juilliard.
Madonna encerra última apresentação em São Paulo

Saiba tudo que rolou no show deste domingo (21):
O último show da cantora Madonna no Brasil começou com cerca de duas horas e vinte minutos de atraso. Ansiosos, os fãs chegaram a vaiar e protestar, já que o DJ Paul Oakenfold deixou o palco por volta de 20h.
A exemplo das apresentações anteriores, Madonna abriu o show com “Candy Shop” e levantou o Morumbi já na primeira música. Ao cantar “In To The Groove”, ao sentir a platéia um pouco menos animada, a diva fez um pedido. “Quero ver vocês fazendo barulho!”, disse, no que foi prontamente atendida.
Indireta
Antes de tocar a música “She is not Me”, Madonna ofereceu a canção para um público especial. “Essa é para as garotas. Quem nunca teve uma amiga que sempre quis tudo o que é seu?”, perguntou, enigmática.
Ao fim da canção, “Spanish Lesson”, a 11ª do show, Madonna interagiu com os fãs. “Oi Brasil, vocês estão se divertindo? É o meu último show, estou feliz por estar aqui com vocês, São Paulo! Agora quero que todo mundo cante comigo!”, pediu ao começar “Miles Away”.
Um dos pontos altos do show aconteceria poucos minutos depois, quando a diva pediu um minuto de silêncio ao público que lotou o Morumbi. Após silenciar os fãs, ela fez um agradecimento especial ao público paulistano.

Agradecimentos
“Esse é nosso último show. Quero dizer obrigada a toda essa cidade e a todo mundo que fica atrás do palco e que se esforça para fazer este show acontecer. Obrigada a todos vocês em São Paulo por serem tão receptivos. Sim, nós amamos o Brasil. Foi ótimo ter terminado a turnê aqui. Quero agradecer os meus três filhos, que eu amo demais. Eu sou uma garota de sorte”, disse ela ao começar a cantar “You Must Love Me”.
Emocionada, Madonna não conseguiu conter as lágrimas durante a apresentação da música, que faz parte trilha sonora do filme “Evita”. “Sou a garota mais sortuda e mais cansada”, disse ela. Agitado, o público respondeu com “We love Madonna”.

Falha técnica
A animação dos fãs era tanta que nem mesmo a falha técnica que interrompeu por cerca de 30 segundos a execução de “La Isla Bonita” conseguiu esfriar os ânimos.
Na apresentação desta noite, Madonna inovou no já tradicional momento em que um fã da platéia é escolhido e tem o direito de pedir uma música do repertório.“Vocês estão cansados? Querem que eu cante mais? Estou gostando do entusiamo! Querem pedir uma música?”, começou ela.
Pedido de fã
A popstar então se dirigiu a um rapaz da platéia, mas não conseguiu entender o que ele dizia. Um segundo fã, identificado como Diego, pediu então a canção “Sorry”, mas foi interrompido pela diva.
“Essa eu não quero cantar. ‘Like a Virgin’, eu quero cantar, pode ser?”, perguntou Madona. “Então vamos ter que combinar. Eu canto uma parte e vocês cantam outra”, pediu ela, antes dos primeiros acordes do clássico.
Como nas apresentaçãoes anteriores, Madonna terminou o show cantando “Give It 2 Me”, hit de seu último álbum, “Hard Candy’.
00:03 - Fã pede “Sorry”, mas Madonna canta “Like a Virgin”
Madonna inovou no já tradicional momento em que um fã da platéia é escolhido e tem o direito de pedir uma música do repertório.
“Vocês estão cansados? Querem que eu cante mais? Estou gostando do entusiamo! Querem pedir uma música?”, começou ela.
A popstar então dirigiu-se a um rapaz da platéia, mas não conseguiu entender o que ela dizia. Um segundo fã, identificado como Diego, pediu então a canção “Sorry”, mas foi interrompido pela diva.
“Essa eu não quero cantar. ‘Like a Virgin’, eu quero cantar, pode ser?”, perguntou Madona. “Então vamos ter que combinar. Eu canto uma parte e vocês cantam outra”, pediu ela, antes dos primeiros acordes do clássico.
Por Sonia Vieira
23: 40 - Madonna se emociona
Madonna não consegue conter as lágrimas durante a música “You Must Love Me”, trilha sonora do filme “Evita”. A cantora fica muito emocionada com a reação dos fãs brasileiros. “Sou a garota mais sortuda e mais cansada”, disse ela. O publico respondeu com “we love Madonna”.
Por Sonia Vieira e Guilherme Samora
34 comentários »
23:36 - Madonna pede um minuto de silêncio e discursa
Madonna acaba de pedir um minuto de silêncio ao público que lota o Morumbi. Após silenciar os fãs, ela fez um agradecimento especial ao público paulistano.
“Esse é nosso último show. Quero dizer obrigada a toda essa cidade e a todo mundo que fica atrás do palco e que se esforça para fazer este show acontecer. Obrigada a todos vocês em São Paulo por serem tão receptivos. Sim, nós amamos o Brasil. Foi ótimo ter terminado a turnê aqui. Quero agradecer os meus três filhos, que eu amo demais. Eu sou uma garota de sorte”, disse ela ao começar a cantar “You Must Love Me”.
Por Sonia Vieira
23:31 - Bailarina de Madonna dança com bandeira do Brasil
Com coreografias, set list e figurinos seguidos rigidamente à risca em todas apresentações da turnê “Sticky & Sweet”, a produção de Madonna inovou na apresentação de domingo (21).
Durante uma apresentação de música romena entre um hit e outro da popstar, uma das bailarina de Madonna trocou a saia que usa habitualmente por uma que contém a estampa da bandeira do Brasil.
Por Sonia Vieira
23:20 - “Estou feliz por estar aqui, São Paulo!”
A popstar Madonna terminou agora de cantar 11ª música de sua apresentação, “Spanish Lesson”. “Hablas espanõl?”, perguntou a diva ao público que lota o Morumbi.
Ao fim da canção, Madonna interagiu com os fãs. “Oi Brasil, vocês estão se divertindo? É o meu último show, estou feliz por estar aqui com vocês, São Paulo! Agora quero que todo mundo cante comigo!”, pediu ao começar “Miles Away”.
Por Sonia Vieira
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23:10 Madonna conversa com o público
tags Domingo, fãs, Madonna, show
Antes de tocar a música “She is not Me”, Madonna ofereceu a canção para um público especial. “Essa é para as garotas. Quem nunca teve uma amiga que sempre quis tudo o que é seu?” A galera foi ao delírio com a pergunta da cantora.
Por Guilherme Samora
23:02 - “Eu quero ver vocês fazendo barulho”, pede Madonna
A popstar pediu mais animação ao público do Morumbi ao tocar os primeiros acordes de “In To The Groove”. “Eu quero ver vocês fazendo muito barulho”, disse, no que foi prontamente atendida pela platéia.
Por Sonia Vieira
22:42 - Saiba detalhes do palco onde Madonna se apresenta
O palco onde Madonna se apresenta neste momento mede 83 m de largura por 42 m de profundidade. Inclui um palco principal, ligado por uma passarela, de 17 m de comprimento por 12 m de largura, e um palco avançado, onde a popstar consegue interagir melhor com os fãs.
22:32 - “Vamos lá, São Paulo!”

Animada, Madonna pede que o público cante com ela. “Vamos lá, São Paulo!”, grita para as cerca de 66 mil pessoas que lotam o Morumbi.

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