domingo, 28 de junho de 2009

O pop e o novo design chinês

Enviado por Gilberto Scofield -
12/8/2008

Após o lançamento do bem sucedido livro sobre os mais promissores fotógrafos chineses ("3030: New Photography in China"), a editora 3030Press, de Xangai, volta a surpreender o mercado de livros de arte da
China com "3030: New Graphic Design in China", um catálogo supreendente com os trinta melhores jovens designers gráficos do país — profissionais em torno dos 30 anos, obsrva o publisher da 3030, John Millichap — em trabalhos que vão de pôsters e capas de produtos culturais, como CDs e livros, até logomarcas.
Não foi exatamente uma trarefa fácil, vai logo dizendo Javin Mo, o editor convidado pela 3030Press para a empreitada de selecionar os designers. Afinal, a China costuma ser mais conhecida pela pirataria epidêmica em sua indústria do que pela inovação e criatividade de seus artistas gráficos. Mas Javin Mo — diretor criativo da milkxhake, festejada empresa de design de Hong Kong, e que entre 2004 e 2005 fez parte da FABRICA, o Centro de Comunicação e Pesquisa da Benetton na Itália — usou toda a sua experiência (e contatos) no ramo para montar um painel bastante expressivo e criativo do melhor design feito na China hoje.

— O fenômeno do design na China é, como na maioria dos setores, um fenômeno recente, pós-abertura dos anos 80, mas vem se desenvolvendo com a mesma rapidez com que cresce seu mercado consumidor gigante — diz Mo. — Acredito que o setor só não se sofistica mais por causa da mentalidade dos clientes chineses, especialmente as estatais. As empresas chinesas não gostam de apostar em inovação ou projetos mais arrojados e são os próprios executivos, ou suas agências, que preferem investir em desenhos e campanhas imitando fórmulas/imagens vencedores no exterior, principalmente nos EUA e Japão.
— A China vive hoje, em termos de design, a mesma explosão que ocorreu nos anos 70 no Japão e nos nos 80 em Hong Kong, com a diferença de que esta onda mistura legados tradicionais chineses com uma linguagem de design globalizada e arrojada — diz John Millichap.
De fato, é difícil ficar indiferente aos desenhos de inspiração comunista, mas animadíssmos, de Li Xinlu, que também assina o trabalho reproduzido na capa do livro. Ou a série de pôsteres "I love Guangzhou", de Wu Zhen, festejada na revista "Time" como "longe da aprovação de um escritório estatal de turismo, mas o mais perto da dureza e urbanidade de Guangzhou que uma campanha estatal poderia captar".

Há o deboche erótico e político de Yang Zhen com a data que marcou o início da maluquice coletiva da Revolução Cultural, uma contraposição ao bom mocismo retrô (ainda que iconoclasta por natureza) de Qian Qian. Nada mais interessante para quem quer descobrir de antemão o que pode acontecer com o futuro do design quando os chineses pararem de copiar e decidirem, eles mesmos, criar as suas marcas e produtos.

Enviado por Gilberto Scofield -
31/8/2007
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1:23

3030: os novos fotógrafos chineses

O leitor que repousa os olhos sobre "3030: New Photography in China", um livro com os trabalhos de 30 dos mais criativos e promissores fotógrafos chineses com menos de 30 anos, se espanta de ali não encontrar os clichês artísticos já tão comuns quando se fala em arte contemporânea chinesa. De cara, ao se observar a capa do livro — a impactante foto de Lin Zhi Peng mostrando uma mulher agachada com meias rosa arrastão atrás de um fiapo de líquido branco que remete imediatamente a cuspe ou a urina — não se encontra uma referência sequer à China.


Tampouco se vêem os símbolos comerciais que já se repetem com monotonia na arte contemporânea chinesa, tais como imagens revisitadas do líder Mao Tsé-tung, misturas de estética da revolução comunista com produtos de consumo, dragões em grafiti, ideogramas e tipologia de designers, Coca-cola com foices e martelos, entre outros truques. E ainda assim, "3030: New Photography in China" é a cara da nova China.


E ela se reflete no trabalho de fotógrafos como a cantonesa Cao Fei e suas imagens repletas de referências a cartuns, heróis míticos chineses e soldados do filme "Guerra nas Estrelas", lutando como personagens de sonhos imersos em cenários de hutongs ou seus destroços, exemplo mais lapidar da China onde o novo precisa derrubar o velho para se impor.




— A nova geração de fotógrafos chineses rompe com a barreira do deslumbramento e do protesto político que marcaram a primeira geração pós-abertura — explica o inglês John Millichap, um ex-repórter do jornal "South China Morning Post", de Hong Kong, que decidiu abrir ano passado uma editora para publicar livros de arte chinesa contemporânea, a 3030 Press — São jovens que, inclusive, trabalham em outros ambientes, como publicidade, internet e TV, e recebem influência destes meios nas imagens que captam.




Eis a razão pela qual os organizadores de "3030: New Photography in China" — o professor de fotografia da Universidade Fudan, em Xangai, Gu Zheng, e o artista, escritor e curador das mais importantes exposições de arte contemporânea do país, Ou Ning — foram tão bem sucedidos na escolha dos trabalhos expostos no livro. Para Gu, o enriquecimento rápido da China e a opressão perceptível em toda a sociedade de consumo e sua idolatria de celebridades pesaram para dar um caráter tão auto-expressivo aos trabalhos. E tão surpreendente. A China que se vê pelos olhos dos 30 fotógrafos de "3030" é a China urbana que se impõe sem dó nem piedade sobre o país ainda majoritariamente rural. É a China da cultura televisiva, internauta, pop, cujas mídias insistem em levar informações nem sempre agradáveis para uma população ideologicamente cerceada pelo governo de Pequim.


Este componente novo e subversivo pode ser percebido no horizonte de prédios de Birdhead (nome do coletivo criativo composto pelos fotógrafos Ji Weiyu e Song Tao, de Xangai) ou nos solitários urbanos de Chen Wei. Revela-se nas expressões duras, quase congeladas, dos chineses retratados por Su Han Guang e Wang Yifei. Transborda de tristeza das jovens flagradas por Lin Zhi Peng, que também choca com o close de um beijo de língua masculino. E atrai a imediata empatia de qualquer baladeiro que vislumbre as figuras da noite clicadas por Liu Yiqing, também conhecida como Yiki.



"3030: New Photography in China" foi lançado em dezembro do ano passado em Hong Kong e já pode ser comprado na internet, inclusive no Brasil. John Millichap fechou com o bazar online paulistano Bangoo a venda do livro no país. Para quem se interessa sobre a fotografia contemporânea chinesa que vai além das fotos de obras e guindastes em Pequim ou de Mao Tsé-tung revisitado, "3030" é um livro obrigatório.


As fotos são de divulgação. Bom findi para todos.

Enviado por Gilberto Scofield -
14/6/2007
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8:04











O pop chinês - Jay Chou


Muita gente me pergunta como é o cenário da música pop na China e eu mesmo já falei sobre isso em outros posts aqui ou aqui. Mas o pessoal quer saber como é ao vivo e a cores, então a partir de agora eu vou intercalar os posts comuns com algumas cenas do pop chinês que eu for encontrando na rede, ok? De um modo geral, a música pop para a jovem geração chinesa da internet e da abertura econômica não foge muito do cenário pop internacional. É claro que há diferença de estilos, mas os produtores de música da China parecem obcecados com uma fórmula Justin Timberlake-Britney Spears de música, repleta de linguagem MTV com dancinhas coreografadas no estilo Paula Abdul. Há alguma exceção para as bandas de rock, claro. Os artistas antigos e os cantores de música patriótica ainda encontram amparo nas antigas gerações chinesas, mas são uma espécie em extinção, praticamente restritos a programas de audítório para a velha guarda na TV.


Vou começar mostrando o cantor taiwanês Jay Chou, sem dúvida nenhuma o maior fenômeno pop da China hoje. Todos os garotos querem ser Jay Chou, todas as garotas querem namorá-lo. Jay Chou já foi capa da Time Asia, eleito o homem mais sexy do país pelas revistas femininas e sua história e carreira são admiradas pelos jovens (aqueles que não querem ser jogadores de basquete, inspirados pelo fenômeno Yao Ming), especialmente os da classe média e alta emergentes. Se você sabe inglês, a matéria da Time é genial. Ali, fica-se sabendo que quando Jay era pequeno, o moleque era tão introvertido que seus pais e professores achavam que ele era retardado. Até hoje, é difícil vê-lo rindo não apenas nos clipes de música como nos zilhares de anúncios de publicidade que faz pela China.

Com vocês Jay Chou:


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