SÃO PAULO - Johnny Alf - um dos criadores da bossa nova - faleceu em Santo André, São Paulo, nesta quinta-feira (4). O músico lutava contra um câncer de próstata e estava se tratando no Hospital Estadual Mário Covas. No entanto, seu estado se agravou e o artista não resistiu à doença.


Hospitalizado desde segunda-feira (1), Johnny já havia sido diagnosticado há cerca de 10 anos e, durante este período, não parou de se apresentar. O músico continuou na ativa e, em maio de 2009, ele comemorou seus 80 anos com uma série de shows ao lado de Alaíde Costa e Emílio Santiago.
O corpo de Johnny Alf será velado no Teatro Sergio Cardoso, em São Paulo, e o enterro deve acontecer nesta sexta-feira (5).
Carreira
Johnny Alf é o nome artístico de Alfredo José da Silva, um carioca nascido em 19 de maio de 1929 que começou a estudar piano quando criança. O tal apelido foi dado por uma amiga americana do músico e, no início dos anos 50, ele montou seu primeiro grupo musical no instituto Brasil-Estados Unidos.
Ao lado de Dick Farney e Nora Ney, Alf se apresentava nas rádios e pela noite carioca. Foi nesta época que ele compões as canções "Estamos sós", "O que é amar", "Podem falar" e "Escuta". Estas músicas entraram para o disco "Convite ao romance" (1952), de Mary Gonçalves, que ajudou a impulsionar a carreira do artista.
Cinco anos mais tarde, Alf lançou as canções "Rapaz de bem" e "O tempo e o vento" em um compacto que foi considerado o primeiro disco de bossa nova. O músico passou a ser admirado e respeitado pelos grandes nomes da MPB e era chamado de gênio por Tom Jobim.
Ainda nos anos 50, Johnny Alf se mudou para São Paulo e se apresentou com os grupos Tamba Trio, de Sérgio Mendes, Luís Carlos Vinhas e Sylvia Telles. Ele também participou do III Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record, e apresentou a música "Eu e a brisa", uma de suas composições mais famosas.
O músico lançou mais de 20 discos ao longo de sua carreira e. nos últimos anos, viva em um asilo da Grande São Paulo, pois não tinha nenhum parente próximo.
Pianista, cantor e compositor, Alfredo José da Silva, o Johnny Alf, nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de maio de 1929. Considerado por muitos como um dos "pais" da bossa nova, Alf era filho de uma empregada doméstica com um cabo do Exército, que morreu em 1932, no Vale da Paraíba, combatendo na Revolução Constitucionalista.

Começou os estudos de piano aos 9 anos com a professora Geni Borges, amiga de uma das famílias para a qual a sua mãe trabalhava. Inicialmente se dedicou ao piano clássico, mas logo se interessou pelo som de pianistas de jazz dos Estados Unidos, como Nat King Cole, George Gershwin e Cole Porter.
Foi quando tocava e estudava inglês no Instituto Brasil Estados Unidos (Ibeu) que ganhou o apelido de Johhny Alf, por sugestão de uma amiga norte-americana.
Foto msn.com


O pianista, compositor e intérprete Johnny Alf, em foto do início de sua carreira, em 1955
Fundou, junto com amigos do Ibeu, um clube para promover intercâmbio cultural e musical entre Brasil e EUA, do qual fizeram parte também o músico João Donato e o diretor de televisão e cinema Carlos Manga.
Após tocar no Sinatra-Farney Fan Club, Alf, por indicação de Dick Farney, começou a tocar, em 1952, na Cantina do César, que pertencia ao radialista César de Alencar. Nesta época realizou suas primeira gravação, um álbum instrumental com as músicas "Falsete" de sua autoria, e "De Cigarro em Cigarro", de Luiz Bonfá.
Duas de suas músicas compostas em 1953, "Rapaz de Bem" e "Céu e Mar", são consideradas precursoras da dos arranjos e batidas característicos da bossa nova.
Conciliava sua profissão de cabo do Exército com a de músico que toca na noite, e fez bastante sucesso na boate do hotel Plaza, em Copacabana, que tinha entre seu público nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra, e João Donato acompanhado de Dolores Duran, então sua namorada.
Em 1955 mudou-se para São Paulo, para inaugurar a boate Baiúca e no bar Michel. Foi nessa época que Vinícius de Moraes, ao ouvir jovens paulistas criticando Alf, aconselhou o amigo a voltar ao Rio, cravando que "São Paulo é o túmulo do samba".
Folha Imagem Johnny Alf, com trio musical, em foto do início da década de 1960.
Voltou ao Rio em 1962, e se apresenta no Bottle's Bar, junto com nomes como Tamba Trio, Sérgio Mendes, Sylvia Telles, dentre outros. Mas volta a São Paulo três anos depois, para excursionar pelo interior do estado, e dar aulas no Conservatório Meireles.
Em 1967 participou do 3º Festival de Música Brasileira, da TV Record, defendendo "Eu e a Brisa", interpretada pela cantora Márcia. Mesmo desclassificada, a música tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira.
Nos anos 70 e 80, já definitivamente radicado em São Paulo, participa de diversas gravações de discos e shows. Em 1990 lança o disco "Olhos Negros", que teve participações especiais de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Roberto Menescal, Emílio Santiago, entre outros.O músico e compositor, Johnny Alf, posa para foto no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, em 2009
Em 1998, depois de sete anos sem gravar, apresentou-se no Sesc Pompéia, na capital paulista, no show de lançamento do CD "Noel Rosa - Letra e Música", e participou, em 2000, do espetáculo "Da Fossa à Bossa", no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 2006 lançou "Mais Um Som", com 15 músicas inéditas.Nos últimos anos, devido à saúde debilitada, diminuiu o número de shows e aparições públicas.
Fundou, junto com amigos do Ibeu, um clube para promover intercâmbio cultural e musical entre Brasil e EUA, do qual fizeram parte também o músico João Donato e o diretor de televisão e cinema Carlos Manga.
Após tocar no Sinatra-Farney Fan Club, Alf, por indicação de Dick Farney, começou a tocar, em 1952, na Cantina do César, que pertencia ao radialista César de Alencar. Nesta época realizou suas primeira gravação, um álbum instrumental com as músicas "Falsete" de sua autoria, e "De Cigarro em Cigarro", de Luiz Bonfá.
Duas de suas músicas compostas em 1953, "Rapaz de Bem" e "Céu e Mar", são consideradas precursoras da dos arranjos e batidas característicos da bossa nova.
Conciliava sua profissão de cabo do Exército com a de músico que toca na noite, e fez bastante sucesso na boate do hotel Plaza, em Copacabana, que tinha entre seu público nomes como João Gilberto, Tom Jobim, Carlos Lyra, e João Donato acompanhado de Dolores Duran, então sua namorada.
Em 1955 mudou-se para São Paulo, para inaugurar a boate Baiúca e no bar Michel. Foi nessa época que Vinícius de Moraes, ao ouvir jovens paulistas criticando Alf, aconselhou o amigo a voltar ao Rio, cravando que "São Paulo é o túmulo do samba".
Folha Imagem Johnny Alf, com trio musical, em foto do início da década de 1960.
Voltou ao Rio em 1962, e se apresenta no Bottle's Bar, junto com nomes como Tamba Trio, Sérgio Mendes, Sylvia Telles, dentre outros. Mas volta a São Paulo três anos depois, para excursionar pelo interior do estado, e dar aulas no Conservatório Meireles.
Em 1967 participou do 3º Festival de Música Brasileira, da TV Record, defendendo "Eu e a Brisa", interpretada pela cantora Márcia. Mesmo desclassificada, a música tornou-se um dos maiores sucessos de sua carreira.
Nos anos 70 e 80, já definitivamente radicado em São Paulo, participa de diversas gravações de discos e shows. Em 1990 lança o disco "Olhos Negros", que teve participações especiais de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Roberto Menescal, Emílio Santiago, entre outros.O músico e compositor, Johnny Alf, posa para foto no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, em 2009
Em 1998, depois de sete anos sem gravar, apresentou-se no Sesc Pompéia, na capital paulista, no show de lançamento do CD "Noel Rosa - Letra e Música", e participou, em 2000, do espetáculo "Da Fossa à Bossa", no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. Em 2006 lançou "Mais Um Som", com 15 músicas inéditas.Nos últimos anos, devido à saúde debilitada, diminuiu o número de shows e aparições públicas.
Johnny Alf chegou um pouco antes da bossa nova. Já cantava e tocava algo diferente quando ela apareceu. Rapaz de bem é uma de suas músicas que sobrevive até hoje, sempre atual. Este vídeo foi gravado em junho de 2005 no Rio de Janeiro.
Uma música rara no repertório do autor em momento feliz. Num bar alemão, em Eldorado, hoje Bairro de Diadema, na Gde São Paulo Johnny tocava lá, preenchendo o ar e a represa de Guarapiranga com sua música.
com a Folha Online










